Esta madrugada, quando me levantei, depois que coei o café, comecei a pensar em tudo que está ocorrendo. Tenho 67 anos e 11 meses. Completarei 68 anos no dia 26 de dezembro, às 4 horas da matina. Hora que costumo acordar diariamente. Para quem não sabe, durmo muito cedo, por isso acordo cedo. Durmo com as galinhas e acordo no cagar do pato!
Depois de tomar o primeiro cafezinho, sentado na poltrona e com o meu cãozinho fiote devidamente aboletado no meu colo, comecei a pensar sobre o que anda a ocorrer no setor judiciário. Qual a razão para determinar prisões desnecessárias, senão ilegais? Gosto de raciocinar com a cabeça ainda refrescada por uma noite bem dormida e com a chance de apreciar o alvorecer. Afinal, nunca se sabe se, na manhã seguinte, verei outro amanhecer. Deus é quem sabe.
Nos últimos meses, o poder judiciário, a começar do Ministério Público e dos julgadores, tem primado por decisões deveras açodadas. É um tal de prende, solta, detém, confisca, quebra sigilos, pede escutas e tem seus pedidos aceitos, de forma cada vez mais frequentes. Por isso, nos sentimos cada vez mais inseguros e ameaçados. Ridículo, nesses tempos estranhamente modernos, que tenhamos tanto medo do poder judiciário, mesmo não sendo criminosos. Ridículo porque caberia aos magistrados julgarem de forma justa. Não pela injustiça.
Aí acende a luzinha: eureca! Acho que descobri: o Ministério Público, quando não tem provas nas suas investigações, pede para prender e, depois, prende. Até para prestar depoimentos! Cinco dias de prisão ou horas de detenção, tudo com o intuito de criar um clima de medo e pavor e, com isso, quem sabe, forçar alguém a contar coisas.
A rigor, isso me parece uma estratégia muito "moderna" no aspecto judicial. Mas não passa da velha tortura própria das ditaduras e dos tiranos contra supostos criminosos. Prender, ameaçar e conseguir delações premiadas. Só não estão batendo. Não fisicamente, pelo menos. E lembrei-me que faz pouco o MP montou um enorme e até escandaloso esquema policial e policialesco para deter diversos vereadores, confinados em uma sala por quase oito horas. Finalidade? Confiscar telefones celulares, descobrir tudo sobre eles, inclusive fatos pessoais. Ficar com os edis “nas mãos”? Certamente que sim. Que horror!
Continuei minhas reflexões. Tirei meu cachorrinho fiote do colo e tomei mais um café. Café bem doce. Mas um sentido de vida amargo, ante as injustiças e esquisitices cada vez maiores do judiciário. A Márcia acordou e alegrou o meu dia. Consolou-me um pouco com sua experiência de mãe e preciosa avó. Meu Jesus Cristinho que me proteja. Aliás, que proteja todos nós. Estamos precisando. Muito.