É espantoso deparar-se com as cifras crescentes dos atos criminosos de corrupção, os quais se contrapõem aos números decrescentes do poder de compra dos brasileiros
Famílias brasileiras já não suportam a pressão da crise. A inflação alta, os juros exorbitantes, a alta dos preços, maior inadimplência e o crescente desemprego compõem uma conta impossível de fechar. Era inevitável, portanto, a retração nas compras. Com menos consumo, cai também a produção nas indústrias e postos de trabalho deixam de ser oferecidos. Impressiona a sequência de problemas econômicos enfrentados e, por enquanto, parece impossível contabilizar o montante desse prejuízo. Tampouco se sabe quanto tempo vai demorar para que o País consiga sair da falência de sua política econômica e retomar o ritmo de crescimento que chegou a ser comemorado e constantemente prometido durante os períodos eleitorais.
As chances de “recuperar o fôlego” parecem mais distantes. Comerciantes depositam a esperança de reagir ao ano quase perdido com o pagamento do 13º salário. A economia de Mato Grosso do Sul poderia ter incremento de R$ 1,9 bilhão, considerando o total de empregados com carteira assinada e aposentados ou pensionistas. Entretanto, indicativos nos mostram que a expectativa pode ser frustrada porque o governo do Estado e prefeituras não garantiram que irão conseguir cumprir com esse compromisso e depositar a quantia aos servidores.
Há ainda outro peso que contribui para o desfalque econômico e a demanda tímida no comércio: a sequência de deficits no mercado de trabalho. Com exceção de fevereiro, os meses de 2015 terminaram com volume de demissões acima do das contratações. No acumulado do ano (até setembro), o saldo é de 3.565 empregos fechados com carteira assinada. Assim, sem fontes de renda, mais famílias viram a necessidade de enxugar os gastos. O comércio do Estado amarga o segundo pior resultado em vendas do País e, por enquanto, parece não haver chances plausíveis de reverter esse quadro.
A confiança dos brasileiros segue abalada em diferentes campos. Primeiro, pela crise econômica que já é inegável. Depois, pela área política, que vivencia estado crônico de corrupção. Em meio à turbulência de notícias sobre as dificuldades decorrentes da crise, os brasileiros assistem pasmos aos constantes escândalos. Ontem mesmo, a Polícia Federal divulgou que o prejuízo causado pelas irregularidades na Petrobras descobertas pela Operação Lava Jato pode chegar à casa dos R$ 42,8 bilhões, conforme laudo anexado a um dos processo da investigação.
É espantoso deparar-se com as cifras crescentes dos atos criminosos de desvios de dinheiro, corrupção e lavagem de dinheiro, os quais se contrapõem aos números decrescentes do poder de compra dos brasileiros. Parece que estamos pagando a conta do desgoverno e da desorganização do governo de Dilma Rousseff, que ainda não conseguiu promover os ajustes necessários para recuperar a abalada credibilidade nas áreas política e econômica. Não é possível mensurar quanto tempo levaremos para recuperar as perdas acumuladas durante 2015. Corrigir as fragilidades do poder público é apenas o primeiro passo para reverter o quadro de pessimismo e tentar garantir que as oportunidades de crescimento e recuperação econômica possam deixar de ser apenas esperança.