O preparo administrativo e a força política devem ter grande peso para que a governabilidade seja assegurada nas eleições de 2016
O campo-grandense terá, no próximo ano, responsabilidade ainda maior na escolha da pessoa que assumirá a Prefeitura de Campo Grande. Afinal, o novo prefeito terá a missão de tentar colocar “ordem na casa”, voltando a pagar a folha salarial em dia e retomando obras ou serviços que acabaram suspensos, em decorrência das dificuldades financeiras e da ineficiência na gestão. Não se sabe quanto tempo levará para que a administração municipal “volte aos trilhos”. Mesmo diante desse cenário de desafios, nomes já conhecidos no meio político começam a aparecer como possíveis candidatos ao confronto de 2016.
O ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) já admitiu disputar a prefeitura da Capital no próximo ano. Ele garantiu, porém, que não vai enfrentar o irmão, deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB), que também já declarou interesse no pleito. A escolha será inevitável. O candidato terá de contar com o apoio popular, mas também agregar força política, algo que hoje mostra-se mais favorável a Nelsinho. Ele demonstra condições de conquistar aliados de partidos considerados fortes em Mato Grosso do Sul. Hoje, o ex-prefeito mantém proximidade com o PSDB, pois participa como médico da Caravana da Saúde, um dos principais programas lançados na gestão do governador Reinaldo Azambuja. Os tucanos cogitam o nome da vice-governadora Rose Modesto, mas não está descartada a possibilidade de apoiar outros candidatos, caso ela não obtenha resultados mais favoráveis nas pesquisas.
O ex-governador André Puccinelli (PMDB) também poderá ter forte influência nas eleições e volta a se aproximar de Nelsinho Trad. Enquanto isso, Marquinhos insiste nas críticas aos peemedebistas, reiterando interesse em deixar o partido, por sentir-se rejeitado e excluído. Fica evidente, portanto, como o ex-prefeito da Capital está apto a garantir número maior de aliados à sua candidatura. Puccinelli, por enquanto, descarta entrar na disputa.
O PT pretende lançar a pré-candidatura do deputado federal José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT. Entretanto, ele deve sofrer os desgastes inevitáveis do partido, com a crescente rejeição à presidente Dilma Rousseff e os escândalos de seus correligionários desmascarados na Operação Lava Jato. Hoje mesmo, pesquisa divulgada no Correio do Estado mostra que a presidente tem aprovação de apenas 4,57% dos campo-grandenses. Quanto a Alcides Bernal, que retornou ao cargo há menos de três meses, pesam as dificuldades para organizar a administração municipal e até mesmo formar secretariado. Permanece o temor, ainda, acerca das pendências judiciais, que já provocaram tanta reviravolta na administração municipal. Trata-se, portanto, de dois candidatos praticamente isolados politicamente.
Obviamente, muitas mudanças podem ocorrer até as eleições de 2016. Análises iniciais, porém, evidenciam que o preparo administrativo e a força política devem ter grande peso para que a governabilidade seja assegurada, em decorrência da rejeição que possa ocorrer para superar os primeiros desafios. O mínimo que todos esperam é acompanhar mais eficiência, para que não tenhamos de enfrentar as ruas cheias de crateras, lixos acumulados, greves intermináveis e serviços essenciais reduzidos. A escolha mais criteriosa busca atender a exigências ainda maiores.