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Editorial deste domingo: Colapso rotineiro

Editorial deste domingo: <br> Colapso rotineiro

Redação

22/11/2015 - 00h00
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Não adianta esperar novo caos ou até fechamento de leitos para reagir à situação. Quando se trata de saúde, a urgência é imprescindível

O ano de 2015 foi marcado por ameaças constantes na Santa Casa de Campo Grande. Paralisações por falta de pagamento dos salários de diferentes categorias, suspensão de atendimentos, cirurgias eletivas canceladas e até estoque praticamente zerado de medicamentos ou materiais hospitalares tornaram-se situações corriqueiras no maior hospital de Mato Grosso do Sul.

A Associação Beneficente alega que a falta de repasses do poder público está prejudicando os trabalhos. A “briga”, agora, é para conseguir R$ 15,6 milhões da prefeitura. Entretanto, a gestão municipal enfrenta sérias dificuldades financeiras e deve fechar o ano com deficit de R$ 205 milhões. Assim, não temos ainda uma perspectiva de quando os repasses serão efetuados. O caos, infelizmente, pode continuar pelos próximos dias.

Na sexta-feira, a Associação Beneficente fez apelo à imprensa, para alertar sobre novo colapso: “o estoque de gaze medicinal, soro, seringas, agulhas, material de desinfecção de leitos e alguns medicamentos imprescindíveis, como antibióticos, está praticamente zerado”. Fornecedores não receberam e, consequentemente, suspenderam o envio de produtos.

Há, sem dúvida, a necessidade de acompanhamento constante das finanças da Santa Casa, diante das dívidas acumuladas e, principalmente, dos prejuízos ao atendimento da população. Depois de longa briga judicial, desde 2013, a Associação Beneficente retomou a administração do hospital, que ficou durante oito anos sob intervenção da prefeitura, do governo do Estado e da União. Entretanto, demonstrou ainda não ter condições de manter o local funcionando bem, conforme havia sido prometido.

A dependência de recursos públicos é inevitável, por conta dos atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e da defasagem nos valores dos procedimentos, já conhecida por todos. Entretanto, já passou da hora de o poder público voltar a ter maior participação nas ações do hospital, diante dos constantes apelos por verbas e das ameaças que podem comprometer o atendimento aos pacientes.

A associação lutou bastante para findar a intervenção do poder público e retornar à entidade; mas, agora, mostra dificuldade para equacionar as contas. A Prefeitura de Campo Grande, independentemente da instabilidade política e do troca-troca de prefeitos, precisa honrar com os compromissos assumidos. A população já vem pagando preço alto pelos serviços suspensos por falta de pagamento, a começar pela coleta de lixo e pelo tapa-buraco; e, agora, assiste ao risco de paralisação do maior hospital de Mato Grosso do Sul.

Os gestores municipais e estaduais precisariam saber exatamente qual a necessidade do dinheiro a ser repassado. Afinal, a transparência é apanágio indispensável quando há aplicação de recursos públicos. Entretanto, hoje não parece haver justificativa plausível para cortes de recursos, nem tanto interesse em conhecer mais a fundo as causas de tantos problemas.

O grito de socorro vem sendo repetido há meses, mas não há preocupação suficiente para tentar retomar a tranquilidade. Não adianta esperar novo caos ou até fechamento de leitos para reagir à situação. Quando se trata de saúde, a urgência é imprescindível.

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