Não se pode esquecer que já ocorreram desastres ambientais no Estado, como em 2014, quando barragem transbordou e os poluentes invadiram propriedades na comunidade Antônio Maria Coelho
O rompimento da barragem do Fundão, entre Mariana e Ouro Preto (MG), provocou destruição sem precedentes na região. Um dos mais atingidos foi o distrito de Bento Rodrigues, completamente dizimado e com centenas de desabrigados. Imaginar que algo minimamente semelhante possa ocorrer em Mato Grosso do Sul assusta e, pior, é passível de acontecer, segundo relatório do Ministério das Minas e Energia. O dano maior seria no Pantanal, já que as barragens que armazenam resíduos de mineração foram implantadas em direção à planície.
No Estado, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), são 16 barragens que armazenam os resíduos, todas localizadas em Corumbá. Destas, 14 são pequenas, classificadas como bacia de decantação. É nesse grupo que estão duas consideradas de “dano potencial alto”, em caso de rompimento. Outras duas, maiores, são classificadas como de “risco médio e baixo”, respectivamente. Uma delas é a Gregório, registrada em nome da Mineração Corumbaense, com capacidade de 10 milhões de metros cúbicos de resíduos; a outra, a Barragem Sul, criada pela mineradora MMX, atualmente inativa, de 3 milhões de metros cúbicos. Esta última, mesmo não estando em operação, precisa de manutenção permanente. As empresas informaram que seguem as normas de segurança internacionais e que estão em dia com os órgãos reguladores.
Porém, não há como ignorar o alerta do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo reportagem publicada ontem, no Correio do Estado: risco de acidente nas barragens existe, assim como o impacto negativo que a extração de minérios resulta ao meio ambiente local. Se isso acontecer, os resíduos tóxicos devem seguir em direção à planície. O risco ao ser humano é considerado nulo, pois o avanço não ganharia velocidade para invadir outras áreas. A perda seria imensurável. Além do Patrimônio Natural Mundial, é também onde estão grandes fazendas de criação de gado e meio de subsistência para centenas de famílias. Não se pode esquecer que já ocorreram desastres ambientais no Estado, como em 2014, quando barragem transbordou e os poluentes invadiram propriedades e cachoeiras na comunidade Antônio Maria Coelho. A fiscalização precisa ser recorrente e inflexível. A nascente do manancial de Urucum, que atendia cerca de 60 famílias de produtores rurais, foi destruída. A classificação de “risco alto” também foi mensurada em barragens dos estados do Pará, do Amazonas e de Minas Gerais.
Em Minas Gerais, as causas do rompimento da barragem estão sendo investigadas. A mineradora Samarco, empresa que beneficia o minério na região, informou ter registrado dois tremores na área, duas horas antes do rompimento. O que se tem conhecimento, até agora, são as consequências do maior desastre ambiental na região. Depois da devastação dos distritos e do Rio Doce, o desastre ambiental alcançou o mar, no norte do Espírito Santo. Além do prejuízo ambiental, o econômico: somente em Mariana, a prefeitura calcula perdas em torno de R$ 100 milhões.