No último século, vários enigmas científicos têm sido elucidados. Entretanto, um deles, embora belíssimo, permanece extremamente obscuro. Como entender a mente de um ser humano que não pode falar, não segue instruções básicas e rudemente interrompe qualquer ação que deseje? Assim, o mistério em questão consiste na compreensão de como os cérebros dos bebês funcionam e em como eles amadurecem e evoluem, se transformando em cérebros de um adulto.
Tal questão apresenta enorme complexidade dada as inúmeras variáveis que podem afetar o desenvolvimento cerebral, incluindo a genética do indivíduo e o meio ambiente, nos levando a entender pouquíssimo sobre esse assunto. Entretanto, um enorme esforço científico tem sido feito, objetivando reduzir todas essas incertezas. Tal empreitada hoje tem sua base locada na Inglaterra, no London Lab, e está sendo popularmente chamada de experimento bebê (do inglês The baby Wxperiment).
Para isto, cada tecnologia avançada possível e inimaginável está sendo usada para entender como funciona e se desenvolve o cérebro infantil. Inicialmente, os estudos em bebês consistiam basicamente nas análises comportamentais e observacionais. Embora ainda sejam importantes, tais estudos se tornam mais sofisticados a cada dia.
Neste aspecto, cientistas ingleses desenvolveram uma técnica pioneira conhecida como espectrometria infravermelha de proximidade infantil, do inglês infant near-infrared spectrometry (Nirs), que torna possível medir a atividade cerebral por cores em associação com a oxigenação sanguínea. Isto possibilita melhor compreender as escolhas e os gostos do bebê, como sua preferência por faces, ou mesmo a direção em que são observadas. Além disso, também é possível com essa nova tecnologia melhor compreender o padrão cerebral de crianças com autismo, buscando mapear as áreas do cérebro que diferem de crianças sem esse transtorno neurodegenerativo. O laboratório também propõe que o uso do Nirs possa ser de suma importância na detecção das primeiras fases do autismo, tornando possível prever essa condição em estágios iniciais de desenvolvimento.
Além disso, essa tecnologia também pode ser usada para detectar o mal funcionamento no cérebro infantil, sendo possível rastrear zonas com maiores possibilidades de aneurismas ou problemas vasculares. Entretanto, somente o Nirs tem sido insuficiente para entender toda as nuances de um cérebro infantil. As limitações residem, em parte, na problemática de que a técnica tem sido insastisfatória para uma análise acurada em regiões profundas do cérebro, como a amídala e o hipocampo. Uma vez que o cérebro consiste em um circuito extremamente complexo, a análise de zonas apenas superficiais pode levar a um entendimento nebuloso e incompleto.
Para essas áreas, as imagens de ressonância magnética funcional (functional magnetic resonance imaging ou fMRI) têm sido utilizadas em associação ao Nirs. Entretanto, fMRI pode ser extremamente sensível a movimentos. Assim, bebês só podem ser analisados se estiverem sedados, o que claramente diminui o entendimento de como se comporta o cérebro em condições normais.
Embora as técnicas estejam evoluindo a cada dia, os cérebros dos bebês continuam um grande mistério, ainda longe de ser completamente elucidado. Um sorriso ou um pirulito podem facilmente alegrar um neném, mas como isto é interpretado no cérebro dos bebês ainda é um enigma.
Neste ponto, ainda temos muito a estudar, pois estamos apenas riscando a superfície do conhecimento nesse quesito. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.