O assalto aos cofres públicos vem sendo desvendado nos vários capítulos da Lava Jato. A Petrobras, patrimônio brasileiro, foi dilacerada pelos casos de propina e superfaturamento.
Cada nova etapa da Operação Lava Jato envergonha e surpreende os brasileiros, que acompanham sucessivos escândalos de corrupção. Ontem, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do Governo no Senado, foi preso por tentar “comprar” o ex-diretor de Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. A trama envolvia a negociação de mesada no valor R$ 50 mil para que Cerveró não citasse o petista em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Áudios comprovam também o plano de fuga - com saída pelo Paraguai - proposto ao ex-diretor por Delcídio. No dia anterior, o pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai também foi detido suspeito de contrair empréstimos milionários e cometer diversos atos fraudulentos para beneficiar o PT.
A que ponto chegamos neste País? O questionamento é inevitável diante das negociatas milionárias envolvendo políticos e grandes empresários. No momento em que todos os brasileiros são castigados pela crise financeira, atraso em salários e altos índices de desemprego é, no mínimo, revoltante acompanhar os abusos que contaminaram a política brasileira. O fato de Delcídio ter elaborado e proposto plano com objetivo de tentar “comprar” o silêncio de Cerveró nos leva a inferir sobre quantas outras irregularidades ainda estão escondidas e quanto dinheiro público pode ter sido utilizado indevidamente. Podemos estar diante de falcatruas de dimensões inimagináveis. Delcídio, que acusava de mentirosos todos que falavam das suspeitas sobre seu nome, agora vê desmascarado seu plano para tentar encobrir verdades que viriam à tona.
As prisões dessa semana também refletem a fragilidade dos nossos sistemas de controle financeiro. Talvez, por isso nossa economia continue tão desorganizada. A São Fernando Açúcar e Álcool, situada na cidade de Dourados e pertencente a Bumlai, recebeu diversos empréstimos milionários de instituições financeiras mesmo estando inativa, não tendo empregados e nem receita operacional. Impressiona mais ainda porque alguns empréstimos saíram do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública que teria objetivo de financiar empreendedores de todos os portes, priorizando a geração de empregos e inclusão social. Pelo esquema descoberto, os recursos, na verdade, tinham o PT como destinatário final, em esquema semelhante ao mensalão.
Ainda ontem, foi preso o sócio do banco BTG Pactual André Esteves, que atuava no plano de Delcídio para obstruir as investigações da Lava Jato e barrar a colaboração premiada de Cerveró. O banqueiro, considerado o 13º mais rico do País, também é um dos acionistas da Sete Brasil, empresa investigada na operação e criada para fornecer equipamentos à Petrobras. Impossível dimensionar quanto dinheiro possa estar envolvidos nos esquemas de corrupção.
O assalto aos cofres públicos vem sendo desvendado nos vários capítulos da Lava Jato. A Petrobras, patrimônio brasileiro, foi dilacerada pelos casos de propina e superfaturamento. Além da perda financeira incalculável, a corrupção deixa marcas irreparáveis na credibilidade dos políticos. O PT afunda cada vez mais e, agora, infelizmente, os sul-mato-grossenses acompanham essa mácula atingir um dos filhos de sua terra. As suspeitas, muitas já reveladas, foram agora definitivamente confirmadas.