Diante dos atuais desfalques orçamentários, pensar em obras públicas tornou-se praticamente um luxo, mesmo se considerarmos aquelas que seriam essenciais para a população
Chegamos ao mês de dezembro com a sensação de que todas as tentativas de contornar a crise financeira não surtiram efeito. Ontem mesmo, a presidente Dilma Rousseff confirmou o corte de R$ 10,7 bilhões no orçamento. Mesmo assim, as dificuldades só aumentam. O rombo nas contas da União chega ao recorde de R$ 119,5 bilhões, e o Planalto depende da autorização do Legislativo para aprovar a nova meta fiscal. Há, ainda, o agravante da crise política, que só piorou depois da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), líder do Governo no Senado.
Já havia sido feito o alerta de que novo contingenciamento poderia trazer “graves consequências à sociedade”, inclusive com a suspensão de serviços públicos. O bloqueio, conforme divulgado ontem, prejudica investimentos e até manutenção do funcionamento de repartições públicas. Novamente, portanto, a população sairá perdendo. A paralisia, que já ocorria pela suspensão de obras e pelo alto índice de desemprego, ficará ainda mais crítica. Aqui mesmo, em Campo Grande, já sentimos os efeitos, com o abandono das construções de Centros de Educação Infantil (Ceinfs) e postos de saúde, as quais já deveriam ter sido concluídas há mais de um ano.
Na verdade, diante dos atuais desfalques orçamentários, pensar em obras públicas tornou-se praticamente um luxo, mesmo se considerarmos aquelas que seriam essenciais para a população. Os investimentos cessaram, e só acompanhamos a conclusão de raros empreendimentos que já estavam com verba assegurada. Enquanto isso, assistimos a diversas promessas sobre lançamentos de obras, as quais continuam apenas no papel, já amarelado pelo tempo engavetado.
A prioridade neste fim de ano será conseguir, no mínimo, honrar o compromisso com os servidores públicos. Os que trabalham na rede estadual já respiram mais aliviados, diante da garantia dada pelo governador Reinaldo Azambuja de pagar o décimo terceiro e manter os salários em dia. Na Prefeitura de Campo Grande – onde dominam a instabilidade política e a ineficiência administrativa –, a incerteza permanece. A previsão é que o décimo terceiro seja pago em duas parcelas, em dezembro e janeiro. Além disso, o pagamento da remuneração dos funcionários só deve voltar a ser feito em dia a partir de março de 2016.
O cenário preocupante também inclui o aumento do custo de vida para os brasileiros, resultante da alta acentuada nos preços dos alimentos, combustíveis, energia, água e transporte coletivo. As contas de fim do ano incluem, ainda, mensalidade escolar mais cara.
Conforme reportagem publicada ontem, no Correio do Estado, infelizmente, 2016 “abre os braços” ao contribuinte com um “sorriso amarelo” da carga tributária mais elevada, do IPTU, IPVA...
O governo federal segue fragilizado, com altos índices de reprovação e numa “guerrilha” com o Congresso. Sem contar os constantes escândalos de corrupção. Não conseguiu recuperar a confiança para atrair novos investimentos. Mato Grosso do Sul tem o alívio decorrente do bom resultado do agronegócio. Mesmo assim, a conta também não está fácil de fechar, e as famílias brasileiras tentam escapar da trajetória equivocada imposta por seu governo. Cortam-se gastos onde nem há mais o que reduzir. Assim, setores prioritários – como saúde e educação – permanecem num histórico descaso.