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Editorial deste sábado: "Símbolos da derrocada"

Editorial deste sábado: "Símbolos da derrocada"

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O isolamento de Dilma é semelhante ao que já está em processo com o senador Delcídio do Amaral. Preso desde o dia 25 de novembro, está se tornando um pária dentro da legenda.

O isolamento da presidente da República, Dilma Rousseff, está cada vez mais evidente e irreversível. A Dama de Ferro tupiniquim sempre foi classificada, mesmo na época de ouro, como uma pessoa de difícil diálogo e irascível. Quando a Operação Lava Jato foi deflagrada e as peças do esquema fraudulento começaram a cair, o que já era difícil se tornou impraticável. O que se vê agora, culminando na abertura do processo de impeachment, é consequência direta, claro, dos escândalos de corrupção e, também, da falta de traquejo na articulação política.

Até quem se mantinha na base aliada não tem conseguido sustentar um diálogo. Ontem, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, entregou carta de demissão, em caráter irrevogável. O motivo oficial seria nomeação pedida na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a qual Padilha não conseguiu emplacar, a terceira rejeição de aliados indicados. O PT analisou que a saída de Padilha “não é um bom sinal” para o governo Dilma. Na visão dos petistas, ele sai para iniciar a articulação da queda da presidente e, consequentemente, da posse de Michel Temer no cargo. As lideranças da estrela vermelha, aliás, comparam o período como um dos piores da histórica política do Brasil, semelhante ao suicídio de Getúlio Vargas e ao golpe de 1964.

Infelizmente, quem não vê isso é a própria presidente Dilma Rousseff. Em pronunciamento logo após o anúncio da abertura do processo de impeachment, preocupou-se em fazer uma defesa “de ataque”, elencando lista das acusações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o algoz que autorizou a abertura da análise. Em poucos minutos de discurso, Dilma desconsiderou a investigação feita pelo Ministério Público Federal, em que o desvio de recursos de proporções gigantescas foi descoberto. Também desconsiderou o descontentamento popular, já demonstrado nas pesquisas feitas este ano. Na última, foi mostrado que apenas 4% dos brasileiros aprovam a gestão da petista.

Na quinta-feira à noite, líderes partidários e Eduardo Cunha fecharam acordo: todas as legendas vão indicar, até segunda-feira, representantes para compor a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment da presidente. A ideia é tentar equilibrar a discussão, mas fica difícil, no atual cenário político, que alguém se mantenha na defesa do governo petista, diante de tantas irregularidades. A oposição ganha força com as rupturas, que começam a ficar cada vez mais expostas no governo federal. 

O isolamento de Dilma é semelhante ao que já está em processo com o senador Delcídio do Amaral. Preso desde o dia 25 de novembro, está se tornando um pária dentro da legenda. Ontem, foi definido afastamento de Delcídio por 60 dias e o caso será encaminhado ao Conselho de Ética. A presidente e o senador são símbolos da derrocada do PT, legenda que teve ascensão meteórica com a eleição do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, mas que não se sustentou ao longo do tempo e, agora, começa a amargar o pior dos pesadelos: o ostracismo partidário.

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