Existem estradas e estradas. Conhecemos as estradas de nossa região. Algumas em bom estado de conservação. Outras regulares. E outras em péssimas condições, necessitando urgentemente de recuperação. O paliativo “tapa-buracos” não resolve. Será preciso uma ação mais corajosa e eficiente.
Ao constatar essa realidade, passo a pensar em outros caminhos: os caminhos da fé, os caminhos do amor, os caminhos que deveriam levar a encontros acolhedores, a atitudes de perdão, a gestos de incentivo e à celebração de uma profunda comunhão de vida.
Mas nem todos os caminhos são assim. Existem caminhos que levam à indiferença, caminhos que levam à descrença, caminhos que levam à traição, caminhos que levam à vingança, caminhos que levam ao ódio e ainda caminhos que levam à morte violenta.
Tristes caminhos. Feliz de quem conseguir evitá-los. Feliz de quem, mesmo na dificuldade, mesmo cercado de dúvidas, não perde a esperança de encontrar o caminho da paz e da alegria, o caminho da felicidade e da graça de Deus.
Esta deveria ser a aspiração de toda a humanidade e de cada ser humano. Não deveria apenas se inquietar, mas acreditar que sempre haverá a possibilidade de uma vida melhor, de uma vida mais saudável, mais serena e mais fraterna. Haverá de chegar o dia e o ambiente em que todos os humanos poderão olhar uns para os outros e ter a certeza de que tudo estará concorrendo para a fraternidade universal.
E os profetas haverão de surgir não mais com ameaças e condenações, mas com o anúncio de um mundo novo, de um mundo de paz, de solidariedade e de felicidade. Iluminados pelas palavras do profeta Isaias, conseguiremos realizar plenamente o desejo de Deus.
E o profeta conclama homens e mulheres a acreditarem num mundo melhor, num mundo mais feliz: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas, as estradas curvas ficarão retas e os caminhos esburacados serão nivelados” (Lc. 3, 5-6).
Este é um chamado forte para uma mudança radical, tanto na vida pessoal quanto na vida familiar e comunitária. Conclama a assumir atitudes corajosas e decisivas. Não é possível permanecer de braços cruzados enquanto os pobres sofrem discriminação e abandono. Não é possível cruzar os braços diante de tantas injustiças e de tão vergonhosa impunidade.
Não é possível permanecer indiferentes perante as injustiças praticadas contra a mulher, contra as crianças e contra os anciãos. São brutalidades que ferem profundamente a sensibilidade das pessoas que alimentam a luz da fé e o sentimento cristão de solidariedade.
É preciso reconstruir os caminhos do amor, da misericórdia e da mútua ajuda. É preciso endireitar tantos relacionamentos encurvados pelo comodismo e pela indiferença. É preciso aplainar tantos montes e colinas que impedem ver e sentir a realidade dos que sofrem discriminação e desprezo. Assim construiremos o caminho da alegria que nos conduzirá a Deus.