Com a proximidade do Natal vemos os comerciantes muito preocupados. Muita mercadoria no estoque e pouca procura. Notamos uma certa cautela nos negócios de uma grande maioria. O dinheiro está curto. O desemprego preocupa e as famílias procurando controlar seus gastos para não serem surpreendidas por algo desagradável.
Pensar em presentes é algo louvável. Programar alguma viagem também é louvável. Arrumar melhor o ambiente, organizar enfeites com motivos natalinos também é louvável, mas isso não é tudo. Isso exige gastos. Sabemos que existem outras razões para celebrar o Natal e que não dependem de investimentos financeiros.
Dependem apenas de atitudes de fé e de amor ao próximo. Mas nem todos pensam assim. Por isso notamos um certo clima de descontentamento rondando muitas mentes humanas. Notamos uma nuvem de desânimo ameaçando inúmeros sentimentos. Notamos uma onda de descrença ferindo muitos corações. E isso não é bom. Isso significa que são muitos os que pensam um Natal a partir de mesas fartas e de presentes generosos.
E a realidade fere profundamente o orgulho dessas pessoas. São pessoas que ainda não descobriram o verdadeiro e sagrado sentido dessa festa. Nela há algo escondido que somente pessoas de fé descobrem, encantam e celebram com o carinho e a ternura de um Deus que se fez menino para que todos se sensibilizem e se transformem em novas criaturas.
É hora de alegrar-se. É hora de celebrar a paz. É hora de olhar uns aos outros e tratar como irmãos e irmãs no mesmo caminho iluminados pela fé, sustentados pelo amor e partilhando na mesma esperança que é certeza de uma nova sociedade, um novo ambiente e uma nova vida.
O apóstolo Paulo mostra qual deverá ser a atitude louvável: “Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres! Que a bondade de vocês seja notada por todos. O Senhor está próximo. Não se inquietem com nada. Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da súplica em ação de graças. Então a paz de Deus que ultrapassa toda compreensão guardará em Jesus Cristo os corações e pensamentos de vocês.” (Fl.4,4-7)
O desejo do apóstolo é também o desejo de todo aquele e aquela que veem essa festa com os olhos voltados para o amor ao próximo e para o empenho de realizar algo melhor em sua vida cristã. Não se preocupa tanto com os presentes, mas com a presença. Os presentes deterioram e desaparecem. A presença permanece, transforma e alegra.
Essa será a alegria que irá contagiar e conduzir com segurança todos quantos se encontrem em busca de um caminho, de um conforto, de um incentivo e até mesmo de um perdão para ter um novo coração.
Essa será a alegria que irá superar preconceitos, discriminações, diferenças e colocará todos na mesma mesa da partilha solidária e da comunhão fraterna.
Essa alegria não servirá apenas para recordar um nascimento, mas viver uma vida intensamente abençoada por Deus e agraciada de um grande presente que será a paz no coração e o contentamento na alma.