É inaceitável que obras sejam interrompidas com recursos disponíveis e, depois, tenhamos que ouvir gestores lamentando falta de dinheiro
Recursos desperdiçados, obras abandonadas e tempo perdido. Essa definição poderia ser aplicada a diversos investimentos que foram “esquecidos” em Campo Grande. Nessa lista está o Terminal Intermodal de Cargas, o chamado Porto Seco da Capital. A construção começou em 2006, seguia em ritmo lento e foi totalmente paralisada em 2012. A empreiteira CGR pediu recuperação judicial e todo o projeto precisou ser reprogramado. A prefeitura teria de abrir licitação para escolher outra empresa que daria continuidade aos trabalhos. Entretanto, esse simples trâmite não foi feito e havia possibilidade até mesmo de perder recursos. Cabe lembrar que a obra estava orçada em R$ 25 milhões, sendo R$ 22 milhões repassados pela União.
Agora, a Capital corre sério risco de perder o investimento para a cidade de Três Lagoas. A decisão de mudança do local do Porto Seco foi anunciada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Jaime Verruck. Entretanto, não foram dados mais detalhes sobre o que ocorre com os recursos que já foram investidos em Campo Grande. Depois do crescimento no setor industrial de Três Lagoas, começou-se a debater o potencial para que a estação aduaneira fosse instalada lá. O Porto Seco dará mais agilidade e reduzirá os custos nos procedimentos de exportação e importação. À época, era divulgado que várias empresas já tinham demonstrado interesse de construir no local e o investimento estimado chegava a R$ 200 milhões.
Os planos de instalação do Porto Seco em Três Lagoas, na verdade, só acendem preocupação sobre algo que não deveria ter sido esquecido: concluir as obras em Campo Grande. No começo do ano passado, a informação era de que havia dinheiro disponível em caixa, mas a administração municipal permanece em silêncio diante do risco de o empreendimento milionário não ser finalizado. Infelizmente, esse descaso não causa mais tanta estranheza. Repete-se em diversos outros investimentos que foram simplesmente esquecidos. Crise econômica, corte de recursos e culpar as gestões anteriores (ainda mais com a instabilidade política vivenciada na Capital) tornaram-se as desculpas frequentes, já não toleradas pela população.
O Centro de Belas Artes é outro exemplo emblemático. Lamentavelmente, aquele espaço parece estar fadado à sina do abandono, se formos pensar nas décadas desde quando começou a ser erguido para abrigar a rodoviária da Capital. Se depender do ritmo atual, o local deve continuar em ruínas por um bom tempo, pois não há quaisquer planos para retomar a construção. Mesmo caminho segue o Hospital do Trauma, ao lado da Santa Casa, cujo prédio segue inacabado há anos.
Para piorar, não há previsão de novos investimentos para a Capital. É inaceitável que obras sejam interrompidas com recursos disponíveis e, depois, tenhamos que ouvir gestores lamentando falta de dinheiro. A obra do Porto Seco exemplifica prática que tem se tornado cada vez mais frequente e perigosa para os campo-grandenses, pois corremos risco de perder ainda mais por pura ineficiência administrativa.