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OPINIÃO

Carlos Eduardo Xavier Marun: "Das coisas que eu sei... e não sei"

Engenheiro civil, advogado e deputado federal pelo PMDB de Mato Grosso do Sul

Redação

16/12/2015 - 00h00
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Cheguei ao Congresso Nacional, há alguns meses, e me deparei com um processo eleitoral em que um deputado se propunha a enfrentar oposição e governo para se tornar presidente da Câmara Federal. E foi isto que aconteceu.

Pregando a independência do parlamento e a necessidade de colocar em votação mesmo os temas polêmicos, que há anos dormiam nas mais diversas gavetas, Eduardo Cunha derrotou no primeiro turno e de uma só vez Arlindo Chinaglia, candidato do governo, e Júlio Delgado, o candidato da oposição.

O resultado foi uma revolução. Nunca se votou tanto. O governo não mandava mais na Câmara. CPIs foram instaladas. Temas polêmicos, como a redução da maioridade penal, a terceirização, o aumento da remuneração do FGTS, etc., foram aprovados e hoje se encontram adormecidos nos corredores do Senado, em que o presidente Renan Calheiros mantém a tradição de vassalagem a governos, sejam eles quais forem. Além disso, vários projetos andaram nas comissões e chegaram ao plenário, sendo aprovados ou recusados, dependendo da vontade da maioria.

Tudo isso desagradou a muitos. Um presidente da Câmara independente ou até oposicionista? “Não pode”, gritou o PT. Um presidente da Câmara que valoriza a família tradicional? É “homofobia”, gritou a Globo. Um presidente da Câmara que defende o direito do cidadão possuir uma arma em sua residência ou propriedade rural? É “genocídio”, gritaram os defensores dos “Direitos Humanos”. E por aí vai...

Assim se chegou a um acórdão. Dilma e Renan seriam esquecidos, e Eduardo Cunha seria transformado, perante a opinião pública, no chefe do Petrolão, o “boi de piranha” que deveria ser lançado ao rio para que o restante da boiada seguisse o seu caminho rumo à riqueza, ao poder, à paz e à tranquilidade.

Eu não sei se o Eduardo Cunha é culpado ou inocente. Não o conheço o suficiente para botar a mão no fogo por ele, e por isso não a ponho. Todavia, muitas outras coisas eu sei...

Eu sei... que o Eduardo Cunha jamais deveria ser o primeiro político a ser julgado no “petrolão”, e que isto se constitui em uma evidente “inversão de pauta” que serve aos interesses do governo.

Eu sei... que um parlamentar jamais poderia ser cassado com base em uma denúncia do Ministério Público que nem sequer foi aceita pelo STF. E com base na existência de uma conta cujo número nem sequer consta na representação.

Eu sei... que o processo deve ter sequência no STF, e lá, se for esta a conclusão de justiça, ele poderá ser condenado à perda de mandato e à prisão.

Eu sei... que hoje a presença de Eduardo Cunha na presidência é fundamental para que a Câmara tenha a necessária independência para conduzir o processo de impeachment.

Eu sei... que o último presidente da Câmara Federal que realmente se opôs a um governo foi Ibsen Pinheiro, e que ele foi vítima de uma das maiores injustiças já sofridas por um homem público. Pressionada por setores irresponsáveis da imprensa, a Câmara Federal cassou o seu mandato, e, anos depois, ficou provado que tudo não passou de uma sórdida trama.

Eu sei... que em uma guerra só existem dois lados e, portanto, quem realmente quer o impeachment deveria deixar de ser um inocente útil a serviço do governo e passar a torcer para que Cunha permaneça na presidência da Câmara, pelo menos até o fim do processo.

Eu sei... que a presidente Dilma não possui mais a credibilidade necessária para unir o País em um projeto de enfrentamento e combate à crise.

Por fim, eu sei que sou contra a cassação de Cunha nesse processo, pelas razões jurídicas e políticas já brevemente expostas.

Por mais que a grande imprensa insista no contrário, o momento agora é do impeachment. Cunha será julgado pelo STF, mas Dilma só pode ser julgada pelo Congresso. Nesta batalha, Cunha é necessário, e a força com que o governo e os setores que o apoiam querem aniquilá-lo é a prova mais viva disto.

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