Políticos brigam em defesa de aliados ou gritam para acusar a oposição, mas, para a população, já está difícil tentar encontrar inocentes ou culpados em meio ao turbilhão de denúncias
Impressiona, cada vez mais, a dimensão da Operação Lava Jato e a quantidade de políticos envolvidos nos mais diversos escândalos. Quase toda semana, um novo capítulo nos mostra que a corrupção alcança proporções inimagináveis para a maioria dos brasileiros. Quem, em 2008, acompanhava, pasmo, a descoberta do mensalão mal sabia que algo muito pior ainda estava por vir. O clima de total instabilidade na área política ganha mais peso diante do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (que agora está suspenso pelo Supremo Tribunal Federal) e do processo de cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara Federal, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção, cujo parecer foi aceito, ontem, pelo Conselho de Ética.
A Lava Jato chegou, ontem, à Câmara dos Deputados e a ministros do governo Dilma. Polícia Federal e Ministério Público Federal cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, e até mesmo na Diretoria-Geral da Casa de Leis. Também foram alvos Celso Pansera, ministro de Ciência e Tecnologia, Henrique Eduardo Alves, titular da pasta de Turismo, e Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia. Todos são do PMDB e tiveram as casas vistoriadas. Políticos posicionam-se, brigam em defesa de aliados ou gritam para acusar a oposição, mas, para a população, já está difícil tentar encontrar inocentes ou culpados em meio ao turbilhão de denúncias.
Investigações e delações premiadas, primeiramente de grandes empresários, levaram a novas descobertas sobre o esquema de pagamento de propina e superfaturamento na Petrobras. Infelizmente, políticos estavam surrupiando dinheiro público em benefício próprio e desviando os recursos para campanhas eleitorais. Hoje, todos sabem que muito mais denúncias surgirão, comprometendo outros políticos e revelando novos esquemas, e apela-se a tudo para se salvar. Nem sempre isso é possível. O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, tentou comprar o silêncio e tramar a fuga do ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró. Se deu mal e está preso desde o dia 25 de novembro.
Novas revelações foram feitas sobre o envolvimento do petista em diversas irregularidades.
Tudo indica que próximos depoimentos vão comprometer ainda mais autoridades. Delcídio pode aceitar acordo de delação premiada, algo muito temido pelo Planalto. O último a falar foi o pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai, que revelou fraude na quitação de empréstimo para que milhões fossem destinados para o caixa 2 do PT.
O Brasil perde, e muito, com todo esse esquema. Além dos milhões desviados dos cofres públicos, a economia toda acaba prejudicada pelos escândalos de corrupção. Aos “olhos do mundo”, não há confiabilidade para investir no País e já se fala em possibilidade de rebaixamento do grau de risco da dívida externa. Com a guerra política, fica ainda mais difícil qualquer tentativa para reverter a crise financeira. Os brasileiros, infelizmente, acabam com duas contas a pagar: dos recursos desviados e da crise.