Os agentes de segurança, responsáveis por defender os cidadãos, não podem permanecer no atraso em comparação ao apoderamento das quadrilhas, cada vez mais organizadas
Apreensão de 101,7 quilos de cocaína, nesta semana, pela Polícia Federal, poderia ser encarada como volta do uso do scanner para reforçar o combate ao tráfico nas regiões fronteiriças. Entretanto, o equipamento de raios X da Receita Federal foi utilizado somente depois que policiais federais desconfiaram de possíveis irregularidades em uma carreta. Ou seja, a fiscalização nas estradas com o aparato ficou só na promessa e está longe de tornar-se ação rotineira nas rodovias do Estado.
A justificativa é que o alto custo de manutenção inviabiliza o uso frequente dos quatro equipamentos, disponibilizados para a Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal. Entretanto, os valores não são facilmente revelados. Assim, os flagrantes de grandes carregamentos que poderiam ocorrer praticamente todos os dias passam a ser ações esporádicas. Na apreensão desta semana, na BR-262, em Corumbá, a droga estava escondida na lataria da carroceria do veículo e, depois do uso do scanner, foram adotadas medidas para retirar o entorpecente. Entretanto, não ocorreu o flagrante, porque o aparelho estava monitorando os veículos que passavam pelas rodovias. O uso foi solicitado somente depois que a carreta foi parada, por conta de denúncia feita aos policiais ou por trabalho investigativo.
Totalmente válido que os policiais federais estejam atuando para barrar a entrada de tantas drogas ilícitas que abastecem vários outros estados do País. Entretanto, fica a sensação de que a segurança poderia ser ainda mais eficiente se a tecnologia comprada estivesse sendo usada. É absurdo e contraditório o governo federal investir quase R$ 1,5 milhão na aquisição dos scanners e não disponibilizar condições para que os policiais e agentes da Receita possam usar a tecnologia no combate ao crime. Dinheiro público jogado fora, numa área que carece tanto de investimentos.
A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública já anunciou que deve firmar parceria com o governo federal, para ajudar a custear a manutenção dos aparelhos e, assim, aprimorar o monitoramento nas estradas. Infelizmente, ainda não saímos do patamar de planejamento. Agora, espera-se que a instalação de 90 câmeras de videomonitoramento nas cidades fronteiriças possa alcançar resultados efetivos. Não queremos, novamente, acompanhar o abandono de mais uma proposta com custo milionário.
Diante da ousadia dos criminosos, a tecnologia aparece como arma para tentar suprir a deficiência de efetivo policial. Hoje, os traficantes camuflam drogas em compartimentos de veículos, em meio a cargas dos mais diversos produtos e dentro de caminhões-tanque de combustíveis. Articulam esquemas até então impensáveis para tentar driblar a fiscalização. Por isso, tais aparatos são indispensáveis. Os agentes de segurança, responsáveis por defender os cidadãos, não podem permanecer no atraso em comparação ao apoderamento das quadrilhas, cada vez mais organizadas nas ações criminosas.
Fiscalização eficiente, utilizando todos os recursos disponíveis, e investigações que cheguem aos verdadeiros chefes das quadrilhas seriam a fórmula ideal para conter a criminalidade que atua nas nossas fronteiras. Infelizmente, traficantes e assaltantes abusam, porque não têm tanto a temer. O governo está perdendo feio essa batalha.