Nossos gestores parecem enxergar o aumento de tributos como única alternativa para salvar as finanças. Esse também foi o “castigo” aos sul-mato-grossenses
Um milhão e meio de vagas de emprego fechadas em todo País nos últimos doze meses. O número assusta e reflete o cenário de crise. Em Mato Grosso do Sul, foram 15,7 mil oportunidades a menos no mercado de trabalho nesse mesmo período. Esse é o principal termômetro de que a situação econômica do Brasil vai mal e, infelizmente, por enquanto, não há expectativas de melhora. Aumentos dos custos de energia, combustíveis e alta carga tributária atingiram em cheio o setor industrial, que precisou diminuir a produção diante da queda do consumo. Afinal, as famílias, endividadas e com menos ofertas de trabalho, foram obrigadas a enxugar os gastos e comprar menos.
O que mais preocupa nesse cenário de recessão é o fato de não vermos esperanças de reverter, ao menos a curto prazo, as dificuldades atualmente enfrentadas. Nesta semana, acompanhamos novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil, que perde grau de investimento. As incertezas nos campos político e econômico motivaram essa medida. Na sequência, houve o anúncio de saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele tinha assumido a pasta com a missão de ajustar as contas públicas, promover cortes nas despesas e o ajuste fiscal com objetivo de tentar resgatar a credibilidade nas contas públicas. Recentemente, porém, o então ministro criticou a resistência do Governo em fazer reformas, mencionando questões políticas, sem detalhá-las.
Os números acerca das dificuldades financeiras demonstram a enorme necessidade de o Governo rever seus atos e a prioridade de gastos. Infelizmente, a população acaba pagando a conta sempre que os governantes se deparam com problemas de gestão. O Orçamento do próximo ano - aprovado nesta semana pelo Congresso Nacional - prevê a criação da nova CPMF, tributo que irá incidir sobre todas as movimentações financeiras. O projeto para o novo imposto, porém, ainda precisa ser aprovado por deputados e senadores. A estimativa, com isso, é arrecadar R$ 32 milhões. Por aí, podemos prever como o ano de 2016 não será nada fácil: o Governo Federal aposta em algo incerto e, para piorar, ainda punirá os brasileiros que já estão sofrendo com o desemprego e os constantes aumentos de produtos.
Infelizmente, nossos gestores parecem enxergar o aumento de tributos como única alternativa para salvar as finanças. Essa também foi a saída que castigou os sul-mato-grossenses, que agora terão de arcar com Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) até 50% mais caro, além de outros reajustes. Em Campo Grande, há ainda alta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e servidores municipais que nem conseguem receber salários em dia.
Além da fragilidade econômica, há os constantes escândalos de corrupção, que abalam ainda mais a credibilidade no poder público. Falta dinheiro para tudo, mas parece sobrar para o pagamento de propinas. Desemprego, inflação alta, aumento de alimentos e ainda alta de impostos. Impossível pagar tantas contas! Os brasileiros já foram castigados demais e não merecem sair logo desse sufoco.