Isolado, não é à toa que é cada vez mais forte a teoria de que Delcídio do Amaral também faça acordo de delação
A cada acordo de delação, seguem-se depoimentos estarrecedores, porém, previsíveis dos presos da Operação Lava Jato, a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro já feita no Brasil. As revelações mais recentes feitas por um dos ex-diretores da Petrobras, Nestor Cerveró, indicam que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) teria recebido - pelo menos - US$ 12,5 milhões, ou 50 milhões nos valores corrigidos em propina nos esquemas de desvio de recursos públicos.
O que é possível verificar nos depoimentos de todos que resolveram colaborar com a Justiça é como o patrimônio público era moeda de barganha para o “toma lá, da cá” do PT na negociação política. Claro, não se pode ter a ingênua ideia de que as alianças em período de campanha eleitoral são feitas por empatia ideológica, longe disso. É histórico e, muitas vezes, questionável que os acordos feitos vislumbram benesses a curto e médio prazo: cargos no alto escalão e influência nas decisões administrativas. Porém, o que se desnudou na Operação Lava Jato é que todos os que foram indicados pelo PP, PT e PMDB nas principais diretorias da Petrobras - Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró - tinham a clara função de manter, principalmente, o caixa 2 do PT abarrotado. Por isso, um dos principais operadores era João Vaccari Neto, tesoureiro do partido e que intermediava o repasse de propina.
A cada revelação, o estrago na carreira política do senador petista vai se tornando inquestionável. Já visto com olhos de poucos amigos dentro do próprio partido, agora, a outra ala do PT também vira as costas para o parlamentar. Isolado, não é à toa que é cada vez mais forte a teoria de que Delcídio do Amaral também faça acordo de delação. Ao que tudo indica, é o melhor caminho para tentar minimizar os efeitos já nefastos dos depoimentos dados na operação Lava Jato. Antes de Cerveró, o lobista Fernando Baiano havia dito que o senador havia recebido propina, US$ 1,5 milhão de “comissão” pela negociação referente à compra da refinaria de Pasadena, no Texas.
O nome de Delcídio do Amaral era presente nos depoimentos, mas a prisão, há quase um mês, foi feita com base na gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, em que a conversa, explícita e sem pudores, mostra o senador traçando plano de fuga para o colega de esquema. Preso por tentar atrapalhar o andamento das investigações, a fraca defesa de Amaral foi dizer que estava tentando ajudar o ex-diretor da Petrobras a fugir por uma “questão humanitária”. Agora, com a divulgação de cada valor de propina, fica quase impossível crer que as intenções eram tão humanitárias e livres de interesse pessoal. Os depoimentos de Cerveró prometem revelar ainda mais o quanto de dinheiro foi desviado da Petrobras, estatal que, antes, era um dos símbolos fortes e consolidados dentro do governo federal. Desde que a operação foi deflagrada, em março de 2014, cada peça do esquema começou a ruir. Delcídio do Amaral é mais um que não resistiu à pressão que a prisão exerceu sobre seus colegas. Agora, resta saber qual caminho ele vai escolher.