A importância dos esforços concentrados da população e da saúde pública no enfrentamento da epidemia é tecla batida com recorrência, porém, não parece surtir efeito
A estação mais quente do ano, o verão, começou hoje com alerta das autoridades sanitárias sobre a necessidade de ampliar o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti. O Brasil enfrenta, novamente, o aumento nos casos de dengue e, mais recentemente, as notificações de zika vírus e chikungunya. A importância dos esforços concentrados da população e da saúde pública no enfrentamento da epidemia é tecla batida com recorrência, porém, não parece surtir efeito. O aumento do número de pessoas infectadas com as doenças é a prova de que falta comprometimento de ambas as partes.
Desde o início do ano, Mato Grosso do Sul acumula mais de 36 mil notificações de dengue, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Pelos dados divulgados no início do mês, Campo Grande tem nove mil registros da doença, com 16 mortes. Dos 79 municípios do Estado, 72 enfrentam epidemia de dengue. O aumento gradativo das notificações deveria levantar o alerta geral, mas isso não aconteceu. O descaso da população é notório: os terrenos baldios continuam sendo a opção mais fácil, tornando-se verdadeiros depósitos de lixo. O número de imóveis abandonados na Capital chega a quatro mil. A falta de preocupação dos donos das casas pode ser vista nos flagrantes de sujeira e piscinas com água suja que foram encontrados.
A prefeitura da Capital, que deveria dar o exemplo, suspendeu 80% dos trabalhos de varrição, capinagem e limpeza de bocas de lobo, mantendo o serviço apenas nas principais avenidas, com a falsa imagem de que tudo está bem, pelo menos nos lugares com maior visibilidade. O governo do Estado também não sai incólume. O Aquário do Pantanal, fonte de várias dores de cabeça na administração pública, também acabou virando imenso criadouro do mosquito Aedes aegypti.
Infelizmente, a mudança de comportamento passa por sanções financeiras. Foi assim com o uso do cinto de segurança, hoje, mais difundido entre os condutores depois que a fiscalização e as penalidades foram mais rigorosas.
As multas impostas por falta de limpeza nos terrenos parece não assustar os donos das áreas, que são reincidentes na ilegalidade. Na última semana, um empresário foi detido, o que seria indício de novos tempos na forma como o poder público trata a irregularidade. Não foi o que aconteceu. A prisão, parece, foi apenas para causar intimidação momentânea e não ação contundente e que poderia ser eficaz, se aplicada de forma regular e a longo prazo.
É preciso que a população se conscientize de que jogar lixo em terrenos e facilitar a proliferação de focos do mosquito é crime ambiental, além, claro, de alto risco à saúde pública. Também é preciso que os gestores tracem planos de ação que extrapolem os períodos que favorecem o aumento de casos. Tentar evitar o aumento de casos de dengue, zika vírus e chikungunya em pleno verão é tão ineficaz quanto apagar incêndio com copo de água. A educação ambiental é esforço concentrado da população e dos gestores.