Como em todo o País, o pesadelo que abateu-se sobre o PT tem efeitos nefastos para a legenda, mas, especificamente para o Estado, a derrocada é ainda maior.
Para os partidos políticos, o ano de 2016 começou em setembro, quando foi sancionada a minirreforma eleitoral, que possibilita a migração de legenda sem que se perca o mandato eleitoral. A janela partidária entra em vigor entre março e abril do ano que vem, mas as articulações já estão a pleno vapor.
No caso do PT, isso pode significar uma debandada sem precedentes. É uma tendência nacional que deve se repetir em Mato Grosso do Sul, agravando e, praticamente, enterrando qualquer pretensão ao Executivo municipal.
Como em todo o País, o pesadelo que abateu-se sobre o PT tem efeitos nefastos para a legenda, mas, especificamente para o Estado, a derrocada é ainda maior: o senador Delcídio do Amaral, estrela de ascensão nacional e credibilidade, caiu de forma irrecuperável, com a prisão ocorrida no dia 25 de novembro.
A denúncia de que o parlamentar estaria tentando atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, armando esquema para a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, caiu como uma bomba no governo federal.
Agora, está isolado e a melhor saída seria o acordo de delação. Mais recentemente, o deputado federal Vander Loubet foi denunciado por corrupão, apontado como receptor de recursos provenientes de fraudes na Petobras.
Para Mato Grosso do Sul, Delcídio e Vander são nomes que podem ser descartados de qualquer disputa eleitoral. O senador também perde poder de articulação e influência na escolha dos possíveis nomes.
Internamente, a legenda definha, sem que se tenha nenhum nome forte para entrar na disputa na Capital. Vander já não seria a escolha mais óbvia, visto o desempenho na disputa de 2012, em que ficou em quarto lugar, com aproximadamente 4% dos votos válidos. Os dois eram lideranças que não seguiam na mesma corrente, o que já demonstrava ruptura interna, agravada com a queda política deles. Outras possibilidades estão distante de ter o apelo popular necessário. O PT não contará com os milhões a que as campanhas são feitas nos últimos anos.
A fonte secou. Mesmo que encontre algum petista disposto enfrentar a corrida eleitoral, a campanha está fadada a ficar à sombra do escândalo da Operação Lava Jato. O esquema de desvio de verbas e corrupção está vivo na memória do eleitor, que irá levar em conta tudo o que aconteceu. É processo seletivo em que nem seria necessária a interferência dos adversários. Mas, claro, não há como se negar que é instrumento a ser fortemente utilizado e, com isso, vão nadar de braçada sobre os petistas.
Para o PT, 2016 será continuação amarga iniciada em março de 2014, quando foi deflagrada a Operação Lava Jato, mas que teve seu pior momento em 2015, com prisões e condenações de importantes nomes na “máquina” petista. O ano que entra será o período para reunir os pedaços e ver o que sobrou do partido. O partido nunca venceu disputa para a prefeitura de Campo Grande e, a julgar pelas últimas manifestações populares a favor do impeachment de Dilma Rousseff, dificilmente irá realizar o sonho.