A lista de construções inacabadas ou projetos que nem saíram do papel é imensa e, infelizmente, não há perspectiva de reduzi-la
O País retroagiu com a crise que se agravou ao longo dos meses em 2015. Desemprego, inflação acelerada, aumento de produtos básicos e produção industrial estagnada são alguns dos indicadores do desastre financeiro que atingiu o Brasil. Basta um olhar mais atento à cidade para verificar outros sinais da desaceleração. Há cerca de quatro anos, acompanhávamos o ritmo incessante nos canteiros de obras de diversos empreendimentos imobiliários. Construções de novos prédios e condomínios residenciais eram vistas em todos os bairros e a dificuldade era encontrar mão de obra para dar conta de tanto trabalho. Parece inacreditável que, tão pouco tempo depois, tenhamos que vivenciar o oposto desse cenário. Neste ano, o setor da construção civil resultou no fechamento de 1,6 mil vagas neste ano em Campo Grande, pior saldo de empregos de 2015, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
Depois de cinco anos consecutivos de crescimento, a Caixa Econômica Federal registrou queda de 27,86% no montante liberado para financiamentos entre janeiro e setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. A retração nas vendas parecia inevitável diante do aumento da taxa de juros, que ocorreu ainda no começo do ano. Reflexo puro da falta de dinheiro. O consumidor, já endividado, passou a refletir ainda mais antes de contrair nova dívida e comprometer ainda mais o orçamento doméstico. A instabilidade econômica e política tem levado muitos brasileiros a adiar os planos de investimentos, talvez na tentativa de esperar por momentos melhores.
Além do setor privado, houve queda significativa nos investimentos com recursos públicos. Várias obras foram paralisadas devido à necessidade de contingenciar gastos. Recursos federais deixaram de ser repassados. A lista de construções inacabadas ou projetos que nem saíram do papel é imensa e, infelizmente, não há perspectiva de reduzi-la. Postos de saúde, Centros de Educação Infantil (Ceinfs), Centro de Belas Artes e até o Aquário do Pantanal integram algumas das obras públicas que foram paralisadas sob a justificativa de dificuldades econômicas e corte de recursos da União.
O lançamento de novos empreendimentos influencia numa série de outros setores: geração de empregos na construção civil, venda de materiais para a obra e até fortalecimento do comércio para atender os novos moradores de determinado residencial, por exemplo. Somam-se ainda os prejuízos nos cofres públicos, que deixam de arrecadar. Então, cada área prejudicada acaba impactando ainda mais na degradação econômica de todo o País. Há perspectivas de investimentos de R$ 12 bilhões no próximo ano em Mato Grosso do Sul, com instalação e ampliação de 15 indústrias. Espera-se que tais planos não esbarrem nos desacertos econômicos que resultaram no desastre vivenciado atualmente.
Não queremos repetir em 2016 a sequência de saldos desastrosos nas mais diferentes áreas. Assim, espera-se acompanhar novamente a retomada de construções ditando o ritmo de desenvolvimento das cidades.