Artigos e Opinião

ARTIGO

Carlos Lopes dos Santos: "Além do arame farpado"

Advogado

Redação

03/01/2016 - 00h00
Notícia sem imagem

Uma das mais terríveis lembranças que a humanidade pode ter do século XX é, sem dúvida, o horror dos campos de extermínio na Alemanha, durante a segunda guerra mundial. Milhares de vidas ou milhões, foram ceifadas das formas mais cruéis que se pode proceder um assassinato. Contudo, por mais incrível que se possa parecer, por mais inimaginável que se possa admitir ao tamanho da fé de um ser humano, lá naqueles vales da sombra da morte, havia esperança entre tantas vidas de um dia estarem além dos arames farpados eletrificados, vivendo em paz e em segurança. Isso se comprova na farta literatura que descreve a saga dos sobreviventes dos campos mortais da Alemanha nazista. A esperança, a forte certeza de um amanhã melhor, esses são os temas que me motiva a escrever agora.

Li o artigo do colega advogado Rapphael Curvo na seção opinião p.2 do Correio do Estado de 26 de dezembro último, “ O show deve continuar” e me encontrei ali naquelas palavras escritas. Aliás, creio que muitos brasileiros também concordam plenamente com o missivista. Em tudo está certo o nobre colega. Porém, uma das questões colocadas que mais chamou-me a atenção foi com relação a passividade do povo brasileiro com tudo que está acontecendo no País. De fato, é impressionante a indiferença de uma nação inteira sendo vilipendiada já há alguns anos, enganada, roubada e massacrada por políticos tipo “nazistas” que mal governam, legislam idiotices e por um judiciário que gera suspeita em suas decisões.

A situação política, econômica e de credibilidade de nosso país é tão dramática que eu me arriscaria a dizer que o Brasil nunca esteve tão mal. São mais de 500 anos de existência e a história nunca registrou um caos tão latente. 

A população brasileira, respeitada as devidas proporções dos fatos, parece que se encontra dentro de um campo de concentração rodeado de gigantescos e extensos arames farpados, onde entrou por sua própria vontade. No interior do campo, um povo que sofre, em sua maioria, grandes privações em todos os setores importantes para sua sobrevivência digna. Saúde precária, educação micha, violência extrema entre os nativos, preços caros dos alimentos, inflação descontrolada, salários defasados, desânimo total. Esperança minguando a cada nascer do sol. Um povo ordeiro, ou melhor, como se fosse cordeiro.

Fora do campo, os políticos, os administradores dos bens públicos, os senhores e servidores dos três poderes, engendrando as maiores artimanhas para cada vez mais se perpetuarem no poder e  roubar...roubar e maltratar àqueles que deveriam, em tese, serem os verdadeiros dono do poder, o povo. Se o burro soubesse a força que tem não puxava carroça.

Se alguém achar que é exagero falar em campo de concentração, tente, como cidadão comum, utilizar-se dos serviços públicos colocados à disposição do povo. Vá a uma delegacia registrar um boletim de ocorrência. Se estiver doente, arrisque-se a buscar atendimento do SUS num centro de saúde. Reclame dos valores do IPTU, do ICMS, IPVA e veja o que acontece. Se for capaz, livre-se da mordida doída do imposto de renda. Consiga, se puder, vaga para o seu filho numa boa escola pública, enfim, encontre o que de fato funciona bem e a contento, nesse país campeão na carga tributária cobrada de sua gente. Não vale dizer, a corrupção, a vida dos políticos, artistas e jogadores famosos, dos ricos, alguns juízes dos tribunais superiores e servidores do alto escalão do poder público. Salvo algumas exceções, todos esses vivem bem e numa parte fora do arame farpado.

A política, na verdadeira acepção da palavra não é isso que é posto no Brasil. Aqui não se faz política. Em todos os níveis de governo, nos municípios, estados e nação se realiza a politicagem, a arte da enganação, da safadeza, do vilipendio.

Poderemos um dia mudar esse quadro? Seria possível vislumbrar entre tantas maracutaias e conchavos, uma luz que iluminasse e despertasse nossa gente de seu incansável marasmo e descaso com o que ocorre a sua volta no mundo da política? Penso que sim!

O Brasil é maior do que os lulas e políticos asseclas neonazistas que lhe sova diuturnamente. Dentro do campo de concentração muitos brasileiros talvez nutrem a esperança em fugir do arame farpado que lhes impõe seus governantes atuais. Todo o sofrimento e penúria tem que servir de essencial à mudança de formação do pensamento do povo brasileiro. 

Esse artigo deveria chamar-se esperança, contudo, antes dela, o que é preciso fazer chama-se atitude. Sem querer sair do campo de concentração, sem almejar atravessar a cerca que os prende, não haverá esperança para a nação cordeira. Esse show não pode continuar, caro colega Rapphael.

Nada é eterno nesta vida. Há de chegar a hora de deixarmos de rirmos da nossa própria desgraça. Nós podemos mudar tudo o que aí está em termos de política. 

Nos campos de concentração da antiga Alemanha muitos pereceram, entretanto, também muitos resistiram e alcançaram a sonhada liberdade. De um país opressor e assassino, tornou-se hoje o mais piedoso e a maior esperança para os milhares de cidadãos refugiados do mundo.

O cidadão brasileiro precisa vislumbrar que há vida além do campo de arame farpado que se encontra. A fé e a esperança precisam ser alimentadas com a atitude. Depois de Deus nada há mais forte do que a união de um povo em torno da busca de um país justo e feliz. O show de corrupção dos políticos nazistas precisa parar e só vai parar quando todos pensarem juntos no bem maior da coletividade, em contraponto a cega individualidade que hoje demanda nos corações de muitos de nós. Acorda Brasil!

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).