Começamos 2016 com a repetição da lista de promessas do ano passado, pois praticamente nada foi executado
É imensa a lista de obras prometidas, abandonadas ou que não saíram do papel no último ano. A justificativa dos gestores é basicamente a mesma: falta dinheiro, estamos vivendo momento de crise. Correto! Impossível negar que o País atravessa um período de recessão, onde há necessidade de contingenciar despesas e priorizar gastos para não fechar o caixa no vermelho. Entretanto, espanta saber que obras simplesmente não começam mesmo estando com recursos garantidos, prontos para serem liberados. É o que acontece com quase R$ 250 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todos projetos anteriores à atual gestão.
Entre os investimentos travados estão os reparos para contenção de enchentes e recuperação do leito do Rio Anhanduí, evitando que a erosão danifique ainda mais a Avenida Ernesto Geisel. Neste caso, o investimento não começou por dois impasses que representam total ineficiência administrativa: não há sequer recurso para contrapartida e não houve avanço na licitação. Certamente, com tanta demora, o projeto já precisará de adequação e pode acabar custando ainda mais caro aos cofres públicos. Esse montante extra desembolsado figura entre os principais prejuízos sempre que algum investimento acaba abandonado.
Difícil compreender essa dificuldade financeira enfrentada pela atual gestão, que não consegue ao menos pagar os salários em dia. Isso porque balanço orçamentário divulgado no começo do mês passado mostrava superavit de R$ 155 milhões, o que seria suficiente para, ao menos, garantir a contrapartida da Ernesto Geisel ou - ainda mais importante - assegurar o pagamento dos trabalhadores municipais. O prefeito Alcides Bernal negou, em entrevista a existência do dinheiro em caixa, contrariando os dados que foram publicados no Diário Oficial de Campo Grande. Mais uma das várias contradições que surpreendem os moradores.
Já cansamos de ouvir a repetições de promessas para iniciar a aplicação dos R$ 180 milhões do PAC Mobilidade Urbana. Estão previstos recapeamento e pavimentação de ruas, além da construção de novos terminais de ônibus. Algumas licitações chegaram a ser abertas, mas foram suspensas. A prefeitura esbarrou nas questões burocráticas. Algo inexplicável.
Se não é possível desencalhar os projetos antigos, torna-se ainda mais difícil acreditar em novos investimentos. A promessa de campanha, de criar um Hospital Municipal, por exemplo, parece inexequível diante dos passos lentos da atual equipe administrativa para gerenciar as ações mais básicas. A paralisação das obras públicas contribuiu até mesmo para agravar a crise econômica, castigando ainda mais o setor da construção civil, que teve o pior saldo de geração de empregos no último ano.
Começamos 2016 com a repetição da lista de promessas do ano passado, pois praticamente nada foi executado. Espera-se um pouco mais de empenho para garantir que os prejuízos não sejam ainda maiores à população.