As ações de recuperação seguem a passos lentos, num compasso inaceitável de espera por recursos do Governo Federal que podem nem ser liberados.
A cada dia, mais chuva e mais prejuízos nos municípios sul-mato-grossenses. A Defesa Civil já estima R$ 200 milhões em estragos e, com base na previsão meteorológica, podemos estimar que novos danos serão causados até o mês de março. As perspectivas também assustam quando mensuramos as dificuldades para escoamento da produção de soja, cuja colheita inicia neste mês. Muitas estradas estão totalmente interditadas, pontes caíram e os acessos disponíveis estão intransitáveis. Mesmo assim, as ações de recuperação seguem a passos lentos, num compasso inaceitável de espera por recursos do Governo Federal que podem nem ser liberados.
Os temporais resultaram em problemas recentes, mas também evidenciaram o descaso do Governo com a infraestrutura. A rodovia MS-156, que liga Caarapó a Amambai, tornou-se o principal acesso ao Sul do País, depois que trecho da BR-163 desabou, entre os municípios de Itaquiraí e Eldorado. Entretanto, já estava em estado deplorável muito antes das fortes chuvas do fim de ano. A Secretaria Estadual de Obras, durante todo o ano passado, praticamente não executou ações para manuntenção de estradas no Estado.
Por diversas vezes, durante 2015, o Correio do Estado mostou que o asfalto da MS-436, que liga as cidades de Camapuã e Figueirão, está esfarelando. O Governo comprometeu-se em notificar a empresa Sanches Tripoloni, responsável pela obras que foram executadas há menos de três anos. Entretanto, nada mudou. Providências não foram adotadas e nem houve a preocupação de levar o caso ao Ministério Público Estadual, como foi feito na hora de denunciar supostas falhas da gestão anterior. Se, de fato, a prioridade fosse garantir melhorias aos condutores, haveria necessidade de amplo levantamento sobre todas as rodovias, apontando todos os problemas e, principalmente, trabalhar para promover os reparos necessários.
Parece ilusão acreditarmos na manuntenção constante das estradas estaduais quando temos até mesmo situações emergenciais desassistidas. Por enquanto, nenhum passo foi dado para investir na recuperação da MS-156. Obviamente, as obras deveriam ser feitas depois da liberação da BR-163, mas os primeiros procedimentos, com abertura do processo licitatório e previsão orçamentária, já poderiam ter sido dados. Pelo visto, quem transita frequentemente por essa via continuará enfrentando dificuldades ainda por um bom tempo.
Há ainda a contradição de o Governo manter em caixa mais de R$ 217 milhões do Fundersul (fundo criado justamente para manutenção de estradas e pontes estaduais), mas não utilizar as verbas para socorrer os produtores da região que podem ter prejuízos nesta safra ou os moradores que enfrentam dificuldades. No fim do ano passado, a atual gestão chegou a divulgar que R$ 15 milhões estavam sendo usados. As necessidades são muito maiores. Nem mesmo a desculpa de aguardar passar o período de chuvas para começar as obras é possível, pois a CCR MS Via segue em ritmo acelerado nos reparos da BR-163. Fica complicado depender do Governo Federal, ainda mais no período de crise. Há providências que não podem demorar tanto tempo.