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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta terça-feira: "Inércia na infraestrutura"

Editorial desta terça-feira: "Inércia na infraestrutura"

Redação

05/01/2016 - 00h00
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O desleixo com a infraestrutura do Estado deixa um sentimento de injustiça para quem precisa desembolsar grandes quantias para a carga tributária

Sem dúvida, no último ano, o setor de infraestrutura foi o mais abandonado pelos gestores. Diante de dificuldades financeiras, novas obras não foram lançadas e algumas construções acabaram interrompidas. Manutenções de avenidas e estradas também foram suspensas. Ou seja, um ano praticamente perdido nesse setor. Agora, estamos sofrendo as consequências desse descaso, principalmente no período de chuvas. Rodovias intransitáveis, vias cheias de buracos e ações para contenção de enchentes que foram deixadas de lado são alguns dos problemas enfrentados atualmente. Há, ainda, o agravante do acúmulo de água nas construções paralisadas, favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti, justamente na época em que enfrentamos epidemia de dengue e duas novas doenças: zika vírus e chikungunya.

Em novembro do ano passado, o Correio do Estado mostrou que o Aquário do Pantanal tinha se tornado um dos criadouros do mosquito, pois vários focos foram encontrados, principalmente, no espaço destinado ao chamado jardim interno. No dia seguinte, houve a promessa de promover a manutenção constante e evitar que a situação se repetisse. Entretanto, a reportagem não foi mais autorizada a entrar no local para verificar se o problema não aconteceu novamente. A obra, infelizmente, continua parada e sem perspectiva de ser retomada, diante dos impasses judiciais. Preços terão de ser reajustados, em decorrência do tempo de paralisação.

Também entram na lista de prejuízos com a falta de manutenção as diversas estradas em condições deploráveis. Para algumas, infelizmente, ainda não há perspectiva de quando os investimentos serão executados, a exemplo da MS-156, entre Caarapó e Amambai (que se tornou o principal acesso ao Sul do País), ou da MS-436, que liga Camapuã e Figueirão, cuja obra foi executada pela empresa Sanches Tripoloni e já apresenta graves danos na estrutura, menos de três anos depois de concluída. Além dos prejuízos aos veículos, dos atrasos nas viagens e das dificuldades que os produtores enfrentarão para escoar a produção de soja, há consequências mais graves, que podem colocar em risco a vida das pessoas. Pelo menos, neste caso, já foi escolhida empresa que vai executar os reparos, os quais devem começar em breve.

Os contribuintes, que começaram o ano pagando mais caro pelo Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) – reajustado em até 50% – querem, pelo menos, acompanhar o retorno desse recurso em investimentos. Há, ainda, o dinheiro arrecadado todos os dias com centenas de multas aplicadas pelos radares e lombadas, do qual pouco é revertido na sinalização de vias. O desleixo com a infraestrutura de Mato Grosso do Sul – seja pelas obras inacabadas, falta de novas construções ou descaso para recuperar as cidades do sul do Estado, em situação emergencial – deixa um sentimento de injustiça para quem precisa desembolsar grandes quantias para a carga tributária. Que a inércia neste setor – que impacta diretamente a economia – não se repita em 2016. 

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