A promessa de finalmente deslanchar o Hospital do Trauma de Campo Grande é vista com grande expectativa, porém, na mesma proporção em desconfiança
Os acidentes de trânsito no Brasil já são considerados casos de epidemia, em consequência do crescente registro de internações hospitalares e gastos com tratamento.
Por isso, a promessa de finalmente deslanchar o Hospital do Trauma de Campo Grande é vista com grande expectativa, porém, na mesma proporção em desconfiança. Não é de hoje que os entes públicos são categóricos em afirmar que a unidade estará pronta em curto prazo e, no fim, não passar de conjectura.
O elefante branco hospitalar, iniciado em 2002, era para ser maternidade da Santa Casa, porém, dois anos depois, o projeto foi alterado para anexo, em vista do aumento da necessidade de leitos para vítimas de trânsito e queda no número de partos, que estava sendo suprida pelas unidades já existentes.
Aí veio o primeiro entrave: inicialmente, o Ministério da Saúde não aceito a alteração do projeto, pois o recurso estava destinado exclusivamente à obra da maternidade.
O entendimento só ocorreu em 2008, porém, as obras recomeçaram em 2010 e novamente paralisadas em 2012.
Aproximadamente, 90% da estrutura física está pronta; há décadas, o prédio inacabado faz parte da paisagem urbana de Campo Grande, simbolizando a burocracia pública e falta de planejamento e de recursos.
O que se tem agora é convênio assinado entre Ministério da Saúde, governo do Estado e prefeitura da Capital, pactuando investimento de R$ 7,5 milhões, sendo que a maior parte será repassada pelo Município, R$ 3,5 milhões.
A vinda do ministro Marcelo Castro serviu como chamariz dessa acordo e para divulgar o
cronograma inicial. Até dia 14 de janeiro será publicado o edital de licitação para contratação da empresa responsável pela obra.
Porém, enquanto o primeiro passo não se cumpra, o que se tem ainda está no campo das expectativas. Mesmo com o acordo assinado, se um dos entes públicos atrasar o repasse previsto, a previsão de datas vai por água abaixo.
A partir do momento que a licitação for aberta, espera-se que seja concluída em trinta dias. Depois, um ano para conclusão do prédio. A população que já se acostumou a ver a carcaça edificada no centro da cidade só terá certeza de que a unidade pode finalmente ser aberta quando o canteiro de obras estiver movimentado com a presença dos trabalhadores e das máquinas.
Mesmo depois de concluído, ainda há a outra fase: o custo de manutenção mensal para que a Unidade do Trauma esteja em funcionamento. A estimativa é de que sejam necessários de R$ 5 a R$ 8 milhões por mês a mais para a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG).
Em 2015, por várias vezes a direção da Santa Casa ameaçou reduzir atendimento reclamando a falta de repasse de recursos públicos, uma queda de braço interminável.
A fala do prefeito Alcides Bernal, de que o ministério da Saúde terá que participar financeiramente do custeio dos novos 126 leitos pode ser indicativo de que a inauguração da Unidade do Trauma está longe de ser o grande alento esperado no sistema de saúde em Campo Grande.