É inadmissível que o projeto no Cabreúva possa ter passado por cinco administrações - três estaduais e duas municipais - e não tenha nem se aproximado da conclusão.
Pouco mais de duas décadas se passaram desde que o foi iniciado o projeto de construção da Estação Rodoviária de Campo Grande, no bairro Cabreúva, denominada Terminal Rodoviário Engenheiro Euclides de Oliveira. Hoje, o prédio inacabado é símbolo de anos de descaso, disputa política e falta de recursos na conclusão de obras públicas. Uma área de 11 mil metros quadrados que poderia ser útil a população, mas que hoje representa até risco à saúde pública.
Na década de 1990, a localização escolhida era plausível. Em uma das várias ações judiciais que tinham a obra como tema de discussão, uma delas cita a região como uma “ilha isolada”, cercada pela avenida Ernesto Geisel, o Córrego Segredo e “os fundos da antiga via férrea, que futuramente será transformada na Avenida Morena”. A descrição consta em pedido de retomada da obra da rodoviária feito em 2005, feito pelo Ministério Público Estadual. Passados dez anos, a paisagem local mudou, a Via Morena foi concluída e o desenho atual não favoreceria a implantação da rodoviária no local.
Além do crescimento da região, o desenvolvimento da cidade obrigou o abandono do projeto e a construção da estação rodoviária, hoje, na avenida Gury Marques, já que o antigo prédio, na região central, já não atendia a demanda. É inadmissível que o projeto no Cabreúva possa ter passado por cinco administrações - três estaduais e duas municipais - e não tenha nem se aproximado da conclusão. A mudança do projeto para a construção da Unidade Pantaneira de Arte e Cultura Regional, posteriomente denominado Centro de Belas Artes tampouco prosperou. A obra foi suspensa sob alegação de que os recusos estavam destinados a outro projeto, sendo considerado desvio de finalidade. Ao longo dos anos, gestores colocaram a culpa uns nos outros para a inoperância sistemática. Milhões foram desperdiçados durante vinte anos. Se fosse retomado qualquer empreendimento hoje, o gasto seria milionário, em decorrência da deterioração da estrutura erguida e abandonada há anos.
Para a população no entorno, é o convívio com o abandono, representando risco à saúde pública, por ser possível foco de criadouro de mosquito Aedes aegypti e risco à segurança. Para todos os cidadãos, fica sentimento de frustração, em ver o quanto de recurso público foi literalmente para o lixo com empreendimento tão grandioso que, pasmem, chegou a ter inauguração simbólica e inócua em 1994. Se algum dia ainda será útil aos moradores de Campo Grande, é icógnita. Espera-se que outros prédios públicos não tenham o mesmo destino. Atualmente, há 87 obras paradas na cidade, por falta de recursos, algumas, tão abandonadas quanto o que seria a rodoviária, como o Ceinf do Jardim Radialista. Outras ainda tem salvação, mas a dependência de liberação de verbas que não se quando virão pode ser sinal de que os empreendimentos ficarão tão deteriorados quanto o elefante branco no bairro Cabreúva.