Permanecem fechados os olhos das autoridades, que continuam na inércia diante das recorrentes remessas de drogas que se espalham por todo o País
Não é novidade que, diariamente, pequenos traficantes - conhecidos como mulas - são flagrados levando remessas de maconha e cocaína que saem do Paraguai e da Bolívia, na fronteira com Mato Grosso do Sul. Novidade seria se as investigações avançassem e os policiais federais conseguissem desmascarar as quadrilhas que atuam por trás dos delitos menores. Ou se estivessem mais atuantes para tentar flagrar os grandes carregamentos que, certamente, ainda cruzam por nosso Estado sem qualquer barreira. Assim, talvez, nossas prisões não estivessem tão abarrotadas, com presos que custam milhões em recursos públicos e, depois, acabam retornando porque cometeram o mesmo delito. Da mesma forma, tantas famílias não estariam sendo destruídas pelos crimes decorrentes do tráfico.
Ontem mesmo, policiais militares ambientais apreenderam 30,65 quilos de cocaína na BR-262, em Miranda. O flagrante ocorreu durante fiscalização na rodovia e, como chovia bastante, a dupla que estava em um carro acreditou que não seria parada. Esse é apenas um caso que exemplifica como as vistorias nas estradas do Estado ainda são ineficientes, pois foram detidos por equipe que não tem atribuição específica de combater esse tipo de crime. Os policiais acabaram, obviamente, autuando os traficantes quando estavam em busca de outras irregularidades, relacionadas ao meio ambiente ou à pesca, que está proibida nessa época.
Não podemos contar com uma fiscalização dependente de apreensões feitas somente ao acaso. Os traficantes, hoje, já não temem muito cruzar as estradas de Mato Grosso do Sul e até de outros estados do País, pois sabem das dificuldades de efetivo e do quanto são escassas as chances de serem barrados. Aqui, temos o agravante ainda de os aparelhos de scanner, que poderiam ser usado para descobrir as grandes cargas de drogas (geralmente escondidas em caminhões), serem raramente utilizados. Tecnologia adquirida com dinheiro público que acaba desperdiçado.
Precisamos, sem dúvida, de atuação mais eficaz da Polícia Federal nas investigações para desmascarar as quadrilhas de traficantes. Até hoje, por exemplo, não sabemos quem eram os grandes criminosos envolvidos em duas grandes apreensões de quase 700 quilos de cocaína cada, ocorridas em dezembro de 2014. Em um dos flagrantes, a droga estava escondida em caminhão-tanque de combustível, alternativa utilizada para tentar burlar a fiscalização já deficiente e que poderia ser mais facilmente descoberta caso os scanners estivessem ativos.
A facilidade de entrar com produtos ilícitos no Brasil fica evidente a cada disputa que ocorre nos morros, nas brigas entre traficantes que acontecem corriqueiramente em diversas cidades ou nas demandas da área da saúde. Em MS, esse seria o motivo de 35% dos assassinatos do ano passado - 181 vidas perdidas. É urgente a necessidade de fechar a fronteira para a criminalidade. Por enquanto, somente permanecem fechados os olhos das autoridades, que continuam na inércia diante das recorrentes remessas de drogas que se espalham por todo o País.