É inadmissível o silêncio diante dos problemas flagrados e, inclusive, confirmados pelas pessoas que passam diariamente pelas ruas do Parque dos Poderes
Por falta de planejamento e organização, o poder público vem desperdiçando dinheiro público com ações paliativas. O exemplo mais explícito ocorre nos trabalhos de tapa-buraco, que não duram praticamente nada.
Na quarta-feira, o Correio do Estado mostrou que os reparos executados pela Prefeitura de Campo Grande durante o período de chuvas precisavam ser refeitos cerca de um mês depois. Na edição de ontem, situação ainda mais crítica: serviço com durabilidade inferior a 15 dias, executado no Parque dos Poderes.
Obviamente, sabe-se que o tapa-buraco terá apenas eficácia momentânea. Entretanto, indigna saber que milhões são pagos todos os meses às empresas responsáveis pelos trabalhos malfeitos.
As queixas sobre a buraqueira na cidade, sem dúvida, vão continuar, pois a prefeitura decidiu lançar a operação para tapar buracos justamente em novembro, quando começa o período de chuvas. Total contrassenso com as recomendações técnicas mais básicas.
Em média, R$ 2 milhões são gastos todos os meses e certamente grande parte da cidade ficará desassistida porque em vários trechos o trabalho precisa ser repetido pouco tempo depois.
Nova licitação, reformulando os moldes das operações que já foram alvos de recorrentes problemas, ficou só na promessa, por enquanto. A proposta vem sendo constante protelada.
O mesmo descaso ocorre nas vias do Parque dos Poderes, onde os buracos são tapados com material de baixa qualidade e os reparos não chegam a durar duas semanas. Pasmem, mas o serviço é feito pela Transenge Engenharia, de propriedade de José Roberto Fagiolo, primo do secretário estadual de Obras, Marcelo Miglioli.
O contrato formalizado com o Governo do Estado é de R$ 10,48 milhões. O titular da pasta poderia, no mínimo, cobrar mais eficiência nos trabalhos, seguindo o que foi feito por seus familiares que se preocuparam em denúnciar problemas nas obras de rodovias, executadas pela gestão passada.
Impreterivelmente, todas as possíveis irregularidades precisam ser devidamente apuradas e denunciadas. No entanto, a atual gestão não pode incorrer no erro de agir de forma injusta, como se houvesse “dois pesos e duas medidas”.
É inadmissível o silêncio diante dos problemas flagrados e, inclusive, confirmados pelas pessoas que passam diariamente pelas ruas do Parque dos Poderes. Há comodismo em denunciar os possíveis equívocos cometidos pelos outros, sem olhar para suas próprias falhas.
Já ficou devidamente comprovado o desperdício de dinheiro público, quando o mesmo buraco volta a abrir em poucos dias. Mesmo assim, infelizmente, prefeitura e Governo do Estado parecem não enxergar a necessidade de aperfeiçoar suas ações e cobrar mais empenho das empresas contratadas.
Repetem-se os problemas, repetem-se os estragos e mais verba pública é jogada fora. Lamentável que as ações paliativas tenham se tornado mais frequentes e até substituído as soluções permanentes, em decorrência da letargia e ineficiência dos gestores.