As obras de de drenagem na cidade não estão sendo suficientes para conter as águas. O resultado da sobrecarga ou o mau funcionamento do sistema estão a olhos vistos.
O domingo em Campo Grande surpreendeu a população: tempo aberto e sol, proporcionando paisagem que não era vista desde 2015.
Desde o início de 2016, moradores da cidade convivem diariamente com fortes temporais e, em consequência, com os transtornos: alagamentos que deixam ruas intransitáveis e causam prejuízos nas casas e comércios da cidade. As precipitações no começo do ano são recorrentes e esperadas, porém, o problema decorrente das chuvas parece surpreender as autoridades públicas sempre: o planejamento a longo prazo foi deixado de lado há muitos tempo e ficou completamento soterrado sob disputas políticas. As obras de de drenagem na cidade não estão sendo suficientes para conter as águas. O resultado da sobrecarga ou o mau funcionamento do sistema estão a olhos vistos.
Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), datado de 2009, apontou falhas nos projetos de quatro barragens de contenção no Córrego Segredo, obra feita com objetivo de evitar inundações na região do Shopping Campo Grande. O TCU apontou falhas na execução, o que foi visto em 2012, quando uma das barragens se rompeu e os alagamentos voltaram a acontecer. Por toda a cidade, há pontos nevrálgicos, em que é possível verificar que existe problema recorrente das inundações, como o cruzamento da rua Joaquim Murtinho com avenida Fernando Corrêa da Costa e na Chaadi Scaf, no Itanhangá. Em bairros mais antigos, como Santo Antônio e Nova Campo Grande, temporal é sempre prenúncio de atenção para os moradores, “acostumados” com as contantes inundações.
A cidade cresceu, mas o planejamento que deveria ter sido feito não acompanhou o desenvolvimento de Campo Grande. Desde 2009, foram mais 67 mil pessoas, que ocupam novas áreas, que precisaram ser adaptadas ou começar do zero para comportar a população.
A capacidade de absorção do solo não é suficiente frente aos empreendimentos imobiliários que foram erguidos nos últimos anos. Não houve planejamento e fiscalização necessários para que as obras fossem erguidas contendo plano de drenagem eficiente. No que já foi edificado há mais tempo, o antigo sistema não suporta a força das águas e a sobrecarga é constante.
Segundo reportagem publicada hoje, nesta edição do Correio do Estado, pelo projeto desenvolvido para Campo Grande, ainda faltam dez barragens a serem construídas, distribuídas nos córregos Prosa, Segredo, Soter e no Imbirussu. Quando isso vai sair do papel e tornar-se realidade é incógnita. Nos últimos anos, as obras e manutenção do sistema, que já eram insuficientes, foram deixadas de lado para dar lugar à disputa política que deixou a cidade no limbo e, infelizmente, tudo indica que assim permanecerá, pelo menos, até que a próxima gestão comece. Que a administração, aliás, não tenha os mesmos contratempos vistos, com entra-e-sai de prefeito e da equipe de trabalho. A cidade precisa de planejamento a longo prazo, que leva em conta o crescimento populacional e aumento da área construída. Sem essa visão, os alagamentos de ruas, avenidas e das casas de moradores ainda serão incômodo constante.