A população não pode continuar a conviver com tais situações de risco, espalhadas como armadilhas pela cidade e que podem resultar em danos mais graves a qualquer instante
Mudanças administrativas jamais deveriam significar abandono de projetos, tampouco descaso com manutenção de trabalhos executados por equipes anteriores, nos quais dinheiro público foi investido. Infelizmente, na prática, não é o que acontece. Parece existir preocupação em resolver questões apenas no afogadilho, quando os problemas já apareceram. O descaso com as obras de drenagem exemplifica bem essa prática. Projetos incompletos e sem manutenção resultam em situações de risco.
O Correio do Estado trouxe à tona preocupação acerca da obra de canalização do Córrego Maracaju, construída ainda na década de 1970. As “janelas” para entrada de tubulação de drenagem, construídas para atender justamente a ampliação da cidade, não foram usadas corretamente. Essa “falha” fez com que surgissem cavernas de quase quatro metros de profundidade abaixo do solo.
O alerta foi feito pelo engenheiro Ricardo Schettini, que atuou na elaboração do último Plano Diretor de Drenagem de Campo Grande, em 2009. O ex-prefeito Nelsinho Trad confirmou que o problema tinha sido mencionado nesse documento e já havia iniciado planejamento para adotar providências.
Esperava-se, no mínimo, que a equipe da gestão de Alcides Bernal tivesse conhecimento sobre tais problemas. O secretário de Obras, Amilton Cândido de Oliveira, prometeu se inteirar do assunto e verificar a dimensão dos danos que vêm ocorrendo há anos.
A missão, porém, ainda deve ficar para as próximas gestões, considerando que estamos em ano eleitoral. Independentemente da equipe que continuará os projetos, é preciso dar os primeiros passos para o planejamento. O que ocorre hoje é pura falta de organização em vários setores. Administradores assumem seus cargos preocupados em criticar as gestões anteriores, descobrir falhas, apontar culpados, eximir-se de responsabilidades e acabam não cumprindo os papéis para os quais foram escolhidos pela população.
Recentemente, mostramos também que os alagamentos na rotatória da Avenida Rachid Neder podem estar relacionados a rompimento de barragem. Falha em projeto ou obra malfeita? Os motivos, sem dúvida, precisam ser devidamente apurados, mas também há necessidade de promover os reparos com a urgência que a situação exige. Caso contrário, voltaremos a assistir a cenas de desespero e prejuízos repetirem-se. A população não pode continuar a conviver com tais situações de risco, espalhadas como armadilhas pela cidade e que podem resultar em danos mais graves a qualquer instante.
Ao assumir determinado cargo de gestão, a pessoa precisa adotar algumas providências simples: inteirar-se sobre projetos em andamento ou aqueles que deixaram de ser executados pelos gestores anteriores, além de planejar quais serão as próximas ações. Hoje, porém, temos uma infinidade de construções paralisadas, iniciadas por determinado governante e abandonadas pelos sucessores, o que culmina em prejuízos aos cofres públicos. Aquário do Pantanal, Centros de Educação Infantil e postos de saúde estão na lista. Neste ano de eleição, vamos ficar atentos à exequibilidade das promessas de continuidade e novas ações.