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OPINIÃO

Nelson Vieira: "A Campo Grande que conheci"

Membro do GOB-MS, da AMLMS, da ALACA-RS e ARL

Redação

20/01/2016 - 00h00
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Uma cidade acolhedora, com poucas ruas asfaltadas, restringindo-se mais ao perímetro central, muito arborizada, a ponto de chamar atenção de quem a visitava pela primeira vez. A vista aérea, um cartão-postal, dando noção de como era.

A população estava num crescente e naquela época, e até recentemente, as vias públicas (ruas, avenidas e demais espaços) eram limpas, ou seja, raramente se via lixo, resto de qualquer detrito a céu aberto na área urbana. Isso motivava comentários do tipo: “... veja que cidade limpa, dá gosto de passear e conhecê-la, sem dúvida um belo exemplo”. Era estado uno, Mato Grosso, e o município considerado o centro econômico na região mato-grossense.

Para muitos, Campo Grande era no imaginário a “capital” do sul do então estado. Tanto é que havia representatividade do governo estadual, espécie de subsecretarias, sediadas na circunscrição municipal para facilitar a administração e melhor atender aos anseios dos municípios distantes de Cuiabá, localizados mais na banda sulista do antigo Mato Grosso. Outro fator dizia a respeito de várias instituições terem suas sedes no estado, a partir de Campo Grande, caso da 9ª Região Militar do Exército Brasileiro, Base Aérea, Polícia Federal e Noroeste do Brasil.

Havia uma vontade desde muito tempo de dividir o estado, e isso aconteceu aos onze dias do mês de outubro de mil novecentos e setenta e sete. Com a criação do estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande passou a ser capital.

A capital com “cheiro” de cidade do interior, em face da simplicidade e do aconchego dos habitantes no trato com as pessoas. Recebera também a denominação carinhosa de “cidade morena”, que, segundo uma corrente, fora em virtude das ações de ventanias. Nos acessos e nas rotas de circulações sem pavimentação asfáltica, ou melhor, no puro chão, era só ventar forte para surgir a poeira a formar uma “nuvem marrom”, ao derredor da cidade. Há os que afirmam que se dava em parte pelo laborar a terra, nas lavouras circunvizinhas ao contorno urbano.

Ainda sobre a tal nuvem marrom, cabe dizer que, principalmente, as donas de casas ficavam desgastadas, pois ela [a poeira] penetrava nos lares sem pedir licença. As roupas nos varais mudavam de coloração, um descalabro.

Agora metrópole, Campo Grande começou a se desenvolver com o surgimento de escolas e mais escolas, desde o maternal ao ensino superior, clubes, agremiações, um expansionismo de crenças religiosas, uma gama de novos empreendimentos, entre esses shopping centers, e hotéis, pertencentes a redes nacionais e internacionais que perceberam um potencial no tocante ao progresso na região municipal e porque não dizer estadual.

Mas é o franco desenvolvimento de um lado e o retardo de ações públicas a atrapalhar e criar morosidades, no provimento de melhorias para os munícipes. Por exemplo, uma falta de manutenção gritante nos espaços, destinados à circulação de veículos ou pedestres, com buracos em determinados momentos e crateras em outros (e dá-lhe prejuízos). É problema com a merenda escolar, deficiências nos atendimentos nos postos de saúde. O povo não quer muito, quer respeito e contrapartida daquilo que cumpre, pagamentos de taxas e impostos múltiplos.

É certo que uma parcela da população deixa a desejar quando contribui para a proliferação de danos á comunidade, descartando restos do que julga serem sem serventia em qualquer lugar, piscinas sem o devido cuidado e terrenos que mais parecem florestas, numa demonstração clara de falta de urbanidade (educação e civilidade). É preciso mudar isso! Talvez com campanhas em estabelecimentos educacionais, no comércio, em pontos de ônibus e onde for possível, visando modificar esse costume negativo, num primeiro estágio.

Uma pena que nossos dirigentes não acompanham com presteza as necessidades da sociedade campo-grandense e, porventura, do Estado. A prática, o arregaçar as mangas, baseada em ideia ou projeto, é de suma importância, basta ter vontade. O povo já está saturado de ver e ouvir tantas asneiras. A bandalheira de alguns dirigentes é visível.

Com certeza, a Campo Grande que conheci hoje está bem diferente e não seria para menos.

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