Corre os rumores ainda não confirmados de que as aulas mais uma vez, assim como no ano passado, serão adiadas. As discussões políticas entre governo e municípios avançam. As discussões em que professores não podem opinar. Em que professores não são ouvidos. Contudo, isso não seria novidade, estamos quase já acostumados a aceitar o que vier e a reclamar nos bastidores. Muitos estudantes estão fazendo festa, afinal, um pouco mais de férias é sempre bem-vindo. Todavia, para quem importa realmente se adia ou não?
Para o governo, sabe-se que é uma economia em pagamentos de professores convocados, em transporte e em merenda escolar. Nosso sindicato se manifestou colocando a saúde dos professores em questão. Ah! Mas quem liga para isso? Se isso fosse algo que sensibilizasse, não haveria tantos professores readaptados. Ah!O calendário escolar deverá ser refeito. Isso também não é lá um grande problema. O problema real é quase um tabu.
Mato Grosso do Sul, que se demonstra preocupado com a educação, com os índices de aprendizagem, com a qualidade do ensino, mais uma vez, busca meta, mas foge do caminho para alcançá-las.
Agora pergunto diretamente aos senhores pais de alunos matriculados nas escolas públicas: seu filho vai à aula aos sábados? Há merenda de qualidade aos sábados? O aluno participa e quer frequentar as aulas de sábado? Neste ano que passou, seu filho teve bom aproveitamento das aulas nos sábados? Fora os tantos alunos que querem fazer um curso extra e só resta os sábados. E ainda temos o período noturno, quais eventos acontecem aos sábados, como é o caso de estudantes que frequentam alguma igreja, grupo de jovens ou apenas o simples fato de querer aproveitar a família e só têm esse dia.
Sem o adiamento das aulas, já estão previstos onze sábados letivos. Estes que prometem vir acabarão apenas preenchendo burocracias de 200 dias letivos exigidos por lei. Mas a qualidade, que já tem suas dificuldades por inúmeros fatores, acaba acentuando-se ainda mais e silenciosamente.
Não detalharei os motivos que têm os professores para posicionar-se contra isto, pois são inúmeros, brevemente cito apenas alguns, como a carga horária semanal e a impossibilidade de cursos de pós que muitos fazem. Mas, dentro desses poucos, destaco apenas uma única questão:a sensação de impotência que transborda em tentar mostrar que esta não é a melhor solução se, de fato, pensamos e sonhamos com uma pátria educadora e índices mais altos.