Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quinta-feira: "Educação na espera"

Editorial desta quinta-feira: "Educação na espera"

Redação

21/01/2016 - 00h00
Notícia sem imagem

Os brasileiros sentem-se, no mínimo, enganados com a resistência do próprio poder público em cumprir com as leis 

A presidente Dilma Rousseff anunciou, na posse de seu segundo mandato, que o lema do Brasil seria “Pátria Educadora”.

No mínimo, portanto, esperava-se a valorização dos profissionais da educação e das práticas para melhorar o ensino. Diante da crise financeira, porém, os brasileiros viram a promessa esvair-se e os investimentos nesse setor ficaram muito aquém do necessário.

Agora, o reajuste salarial dos professores está sob ameaça. Estados e municípios querem que o aumento ocorra em agosto e o índice baixe dos 11,36%, que tinham sido anunciados, para 7,41%. 

Em Mato Grosso do Sul, os aumentos já não estão mais garantidos. Segundo a lei 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso Nacional, os salários devem ser reajustados em 1º de janeiro. Ou seja, em fevereiro os vencimentos já deveriam ter o acréscimo de 11,36%, seguindo o que foi estipulado pelo Governo Federal.

Aqui, porém, essa data já foi completamente descartada. Está marcada para dia 11 de fevereiro reunião para discutir como será feito o pagamento, considerando-se ainda a possibilidade de parcelamento.

A situação é ainda mais crítica nos municípios. A Prefeitura de  Campo Grande não dá conta sequer de manter o pagamento em dia dos servidores e, por enquanto, não sinalizou que irá pagar o aumento aos docentes. Fica a sensação de insegurança diante do risco de vivenciarmos novamente greve, como chegou a ocorrer durante mais de dois meses no ano passado.

No interior, o desrespeito é ainda maior. Em 19 cidades os profissionais da educação ainda recebem salários inferiores ao estipulado na Lei do Piso Nacional, de R$ 1.917,78 - ainda sem contar o reajuste de 11,36%.  Fica a sensação de inércia e impunidade com as legislações ignoradas.

O Governo de MS alega dificuldades econômicas, pois o impacto do reajuste na folha deve chegar a R$ 150 milhões anuais.

Entretanto, ao mesmo tempo, o governador Reinaldo Azambuja orgulhava-se de ter atingido equilíbrio financeiro e as contas divulgadas no Portal da Transparência mostram até superávit de R$ 2,1 bilhões. Mesmo com as informações oficiais disponibilizadas, o secretário de Fazenda, Márcio Monteiro, informou que as contas devem ser finalizadas apenas em abril.

Hoje, fica ainda mais evidente a necessidade de apresentar dados precisos à população, que tem direito de acompanhar como seu próprio dinheiro vem sendo gasto.  Novamente, estamos diante de outra legislação ignorada, pois a regra de transparência nas contas não passa de utopia.

Os brasileiros sentem-se, no mínimo, enganados com a resistência do próprio poder público em cumprir com as leis e, principalmente, com o lema de Pátria Educadora, que parece não ter passado de mero discurso.

Não há educação de qualidade sem a devida valorização do professor, o que não se limita a reajuste salarial, mas também a cursos de qualificação e boas condições de trabalho. Sem dúvida, as prioridades precisam ser reavaliadas e a crise financeira não pode ser justificativa para descumprir direitos assegurados em lei. 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).