O governo precisará de muito mais além dos discursos para voltar a convencer os brasileiros.
Evidente que a instabilidade política implica diretamente nas dificuldades econômicas enfrentadas atualmente no Brasil. Não há dúvidas de que os seguidos escândalos de corrupção - comprometendo empresários e políticos ligados diretamente ao Planalto - contribuíram para acelerar a deterioração das finanças. Mesmo assim, a presidente Dilma Rousseff demostrou ontem ter ficado estarrecida com relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento atribuía a situação de recessão ainda às investigações da Petrobras terem um prazo de duração maior e mais profundo que esperavam.
Na verdade, surpreende o fato de a presidente ter ficado tão perplexa. Em 2014, Dilma Rousseff relutava quanto às previsões pessimistas, assegurando que a economia brasileira não passava pela situação crítica relatada pelos seus adversários e, até mesmo, confirmada por economistas. Depois de um ano cheio de sobressaltos - enfrentando até mesmo o risco de um impeachment - foi obrigada a confirmar que o Governo errou ao não ter percebido o tamanho da desaceleração, decorrente de fatores internos e externos. Agora, repete constantemente que a meta é retomar o crescimento do País. E é justamente o que a população espera.
Não queremos voltar a repetir notícias negativas acerca da economia brasileira, a exemplo do desemprego recorde registrado em 2015, pior desempenho desde 1992. No País, 1,5 milhão de postos de trabalho foram fechadas e, somente em Mato Grosso do Sul, tivemos o saldo negativo de 11,5 mil vagas. Lamentavelmente, o relatório do FMI contestado por Dilma apresenta perspectiva de recuperação apenas em 2018. Sem dúvida, gostaríamos muito mais de acreditar nas perspectivas da presidente e rechaçar o pessimismo do Fundo Monetário. Mas, fica aqui o questionamento: qual parece hoje mais confiável? Considerando o histórico de promessas descumpridas e de realidades maquiadas, o Governo precisará de muito mais além dos discursos para voltar a convencer os brasileiros, que já manifestaram diversas vezes o descontentamento.
Frequentemente, mudanças políticas provocam turbulências no mercado financeiro, a exemplo da reação negativa que ocorreu recentemente com a posse de Nelson Barbosa ao Ministério da Fazenda, considerando a possibilidade de resistência maior ao ajuste fiscal. Impensável acreditar que as denúncias apuradas na Operação Lava Jato, com escândalos de superfaturamento e desvio de recursos públicos, não resultem em instabilidade política e acabem afetando a economia. Basta lembrarmos que a Petrobras, maior prejudicada pelas denúncias, encolheu 85,5% em valor de mercado ou R$ 436,6 bilhões desde o pico histórico da estatal na bolsa de valores em 2008.
Recuperar a credibilidade para voltar a atrair investimentos é a meta, constantemente repetida. As denúncias de corrupção não foram entraves para essa conquista, mas investigações necessárias e, acima de tudo, direito dos brasileiros que não merecem ver seu dinheiro ligado a vergonhosos casos de propina.