Todas as obras citadas custaram caro ao bolso do cidadão que, até agora, não teve qualquer benefício em retorno.
É recorrente o descompasso criado com a mudança de gestor na administração pública; a lista de prioridades nas execuções dos trabalhos pode não seguir o mesmo padrão de importância.
Também é recorrente que o administrador que está saindo da função alegue que tenha deixado recurso suficiente em caixa, enquanto que, quem assume o cargo, rebata com o argumento contrário: além de estar sem verba, há outros entraves jurídicos para a continuidade do trabalho.
Este é o roteiro simplificado do surgimento dos elefantes brancos ou de outros projetos que poderiam estar sendo úteis à população, mas, hoje, são símbolo da burocracia e da inoperância administrativa.
Ao longo dos anos, várias reportagens do Correio do Estado já mostraram obras paralisadas por várias justificativas das administrações públicas.
Mesmo a retomada dos trabalhos não parece ser o fim da novela.
Recentemente, convênio assinado entre governos federal, estadual e prefeitura de Campo Grande, prevê liberação de R$ 8 milhões e pode, finalmente, tirar uma das edificações classificadas de elefante branco: a construção do Hospital do Trauma, agora, anexo da Santa Casa.
Porém, a prefeitura adiantou que será necessário aporte regular do Ministério da Saúde para custeio da unidade. Outro capítulo que ainda está por vir e pode significar entrave para início do atendimento à população.
O mais recente símbolo da incompatibilidade de prioridades administrativas é o Aquário do Pantanal. Se tivesse sido finalizado no prazo previsto, já teria sido inaugurado no fim de 2014, porém, os trabalhos foram suspensos para auditoria.
Também pesa sobre o projeto a investigação desencadeada com a Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos e está passando pente-fino na Proteco Construções, empreiteira que estava no canteiro de obras. A empresa que estava inicialmente na execução, Egelte, recusa-se a retomar os trabalhos, alegando que não tem qualquer responsabilidade com o projeto depois que a Proteco assumiu a obra.
Na tentativa de resolver a pendência, a Justiça fez audiência de conciliação e determinou prazo de 20 dias para que governo estadual e Egelte encontrem solução.
A demora na resolução da finalização do Aquário do Pantanal vai custar ao erário, pelo menos, mais R$ 19,5 milhões. Desembolso que seria desnecessário caso o projeto tivesse seguido o cronograma, que já tinha passado por alterações decorrente do atraso da entrega de parte do material necessário para obra.
Não se pode esquecer, também, do antigo Shopping 26 de Agosto, empreendimento beneficiado pelo Prodes, que concede redução de impostos. O projeto fracassou e o prédio foi vendido em 2013 para o Tribunal de Justiça, ao custo de R$ 38,8 milhões.
A previsão é que o Centro Integrado de Justiça seja inaugurado no fim de 2016. Todas as obras citadas custaram caro ao bolso do cidadão que, até agora, não teve qualquer benefício em retorno. É descaso com quem financia e precisa de melhorias nos setores da saúde e de serviços. São três exemplos que podem ter alguma serventia à população caso os acordos e prazos estabelecidos sejam levados a sério pelos gestores.