E os mosquitos estão invadindo apartamentos, cinemas e bares. Esgotos e rios e lagos e mares. Em um rodopio de arrepiar, num bailado que parece ter-se intensificado durante os últimos anos.
Fatores antrópicos bem como as alterações climáticas têm contribuído para essa propagação de mosquitos vetores. Somado a isso, atualmente se sabe que a capacidade desses mosquitos em se adaptar a diferentes condições ambientais, para competir por locais de reprodução e invadir novos lugares, vem tornando seu controle efetivo, pelos meios existentes, muito difícil.
No Brasil, os atuais métodos de controle convencionais para o mosquito Aedes dependem essencialmente de inseticidas e participação da comunidade, no entanto essa “estória” já é antiga por estas terras, e hoje vemos o quanto essa epopeia ganha novos capítulos inacabáveis.
Inseticidas sozinhos não são suficientes para controlar as populações de mosquitos, seja porque não são tão efetivos – conseguem matar cada vez menos mosquitos –, seja pela resistência por parte dos mosquitos, fenômeno observado cada vez mais – tem aumentado significativamente o número de mosquitos que não são afetados pelos inseticidas. Sem falar na possibilidade de esses inseticidas estarem favorecendo o surgimento de mosquitos mais resistentes e também nos efeitos negativos daqueles sobre os seres humanos e o meio ambiente.
Além disso, a participação da comunidade em programas para reduzir mecanicamente os criadouros do mosquito é muito difícil de alcançar e sustentar em longo prazo. Prova disso é a recente necessidade de colaboração do Exército. Por conseguinte, a aplicação de métodos alternativos para controlar os mosquitos é procurada em todo o mundo.
E justamente essa falta de métodos em conjunto, aliada à falta de ferramentas para o diagnóstico e tratamento de muitas das doenças causadas por esses mosquitos, tem ocasionado maior preocupação.
Se, de um lado, esperamos do poder público medidas resolutivas para esse mal que há tanto tempo nos aflige, esbarramos em uma insuficiência científica, seja por falta de investimentos, seja pela própria escassez de métodos efetivos de controle.
Então... Entrar no ritmo desse bailado? Jamais... Estamos todos expostos.
Talvez nunca tenha estado tão à mostra a interligação entre sermos, todos e cada um, promovedores ou depreciadores da saúde; não apenas da nossa, como também da de nossos familiares e de nossa comunidade. Dessa forma, vale a máxima: Prevenir é melhor que remediar.