Estamos sujeitos a aprender novas manobras ou até passar por curso específico sobre como dirigir nas ruas de Campo Grande, onde as exigências parecem ser muito maiores.
Já foi constantemente repetido e devidamente comprovado que o tapa-buraco em dias de chuva não dura e acaba representando desperdício de dinheiro público. Na semana passada, moradores relataram ao Correio do Estado que alguns reparos estavam durando menos de um mês. Pouco tempo depois precisavam ser refeitos. Até mesmo a Secretaria Municipal de Infraestrutura admitiu que os trabalhos precisavam ser reduzidos nesse período. “Com o asfalto úmido, o material não tem a aderência necessária, como é exigido pelos serviços”, informou por meio de nota.
Impressiona, porém, que diante de todas essas constatações o mesmo problema continue a se repetir. Ontem, flagramos empreiteira executando tapa-buraco durante a chuva na Avenida Joaquim Dornelas, em Campo Grande. Falha, primeiramente, a empresa que deveria ter mais responsabilidade ao executar o trabalho técnico para o qual foi contratada. Depois, a prefeitura que se omite por não fiscalizar devidamente as ações das empreiteiras que recebem milhões todos os meses. Por último, há o Ministério Público Estadual que chegou a abrir investigações anteriormente sobre outras irregularidades nas operações, mas precisa ficar atento às falhas que estão sendo cometidas atualmente.
A necessidade de ter fiscais para aferir a qualidade dos serviços foi apontada ainda no começo do ano passado quando surgiram as denúncias acerca do tapa-buraco fantasma. Entretanto, um ano depois, ainda não há conclusões sobre essa denúncia específica, que foi amplamente divulgada em vídeo. A empresa - que estava tapando buraco onde problema algum existia - continua atuando normalmente, prestando serviços à gestão municipal. Sem punição ou monitoramento, dificilmente veremos trabalho coerente com os milhões pagos todos os meses, com dinheiro público, que sai do bolso de cada campo-grandense que paga seus impostos.
Fica difícil acreditarmos em soluções quando o prefeito Alcides Bernal chega a afirmar que algumas pessoas da oposição estavam abrindo buracos nas ruas da Capital durante a madrugada para prejudicar sua administração. Talvez, por isso, ele não considere que as “crateras” voltem a aparecer por ineficiência do serviço, devido a falhas, como a execução durante a chuva. Ironia também que os problemas não sejam devidamente reconhecidos por Bernal. Ele declarou que se os motoristas dirigissem com prudência não iriam cair em buracos nas vias da cidade. Pelo visto, estamos sujeitos a aprender novas manobras ou até passar por curso específico sobre como dirigir nas ruas de Campo Grande, onde as exigências parecem ser muito maiores.
A promessa é “colocar a cidade em ordem”, mas, na verdade, o caos em diversos setores repete-se, agravado pela instabilidade política e crise financeira. Será preciso muito mais empenho, eficiência e menos discurso para que Campo Grande possa, enfim, “sair do buraco”. Reconhecer as falhas e evitar que elas se repitam deve ser apenas o primeiro passo.