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Venildo Trevizan: "Coração inquieto"

Venildo Trevizan: "Coração inquieto"

Redação

30/01/2016 - 00h00
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O coração é visto como a fonte dos sentimentos e dos desejos. Nele se elaboram valores e emoções que provocam um modo pessoal de conceber as realidades. Ele se abre ou se fecha aos estímulos externos de acordo com os interesses. As decisões e as inquietudes vão determinando seu modo de ser. Ele é único para cada ser. 

O coração só abre por dentro. Os estímulos exteriores em nada influenciam se ele não se dispor a acolher. Até mesmo as paixões nada conseguem se não forem correspondidas. Todo o esforço que alguém empreenda para penetrar nos sentimentos de alguém serão em vão se esse alguém não aceitar e não abrir.

O Pequeno Príncipe dizia: “Só se vê bem com o coração”. O verdadeiro amor não se vê com os olhos, mas com o coração. Assim também a fé, a esperança e a caridade são percebidas e assumidas através de uma decisão interior que parte do fundo do coração. É nele que se elaboram motivos e forças que garantem vida saudável.

A inteligência abre caminhos. E o coração os alimenta. A inteligência elabora projetos. E o coração os ilumina. A inteligência constrói obras maravilhosas. E o coração as sustenta. Ambos andam em harmonia solidária e em mútua colaboração. Um completa o outro.

Mas o coração tem também seus segredos e seus mistérios. Por vezes vive inquieto por não encontrar correspondência em seus anseios e em seus desejos.

Por vezes inquieta por perturbar o sossego de alguém. Por vezes se ressente por não conseguir alcançar certos sonhos. Por vezes se torna vazio por não ter levado a sério os sentimentos que poderiam lhe dar contentamento e alegria.

O coração é um mundo misterioso que só poderá ser desvendado por um amor alimentado pela palavra de Deus e iluminado por uma fé profunda e esclarecida. Os sentimentos podem alimentar e fortalecer. Mas se não estiverem em sintonia com a fé pouco ou nada conseguirão. Pois todo o ser humano é constituído de fé e de razão.

Por isso é bom lembrar que “o coração humano viverá inquieto enquanto não repousar no coração de Deus” (Santo Agostinho). Essa inquietude revela o quanto o coração humano é fecundo em sentimentos e em atitudes.
Existem corações que irradiam felicidade. E existem corações que expressam tristeza. Existem corações generosos. E existem corações egoístas. Existem corações humildes. E existem corações orgulhosos. Existem corações que transmitem paz. E existem corações que provocam violência. Existem corações de carne. E existem corações de pedra.

São corações que precisam ser trabalhados para que cessem as guerras e retorne a paz. É bom lembrar que é no coração que germinam os sentimentos que ajudam o ser humano a ser sempre humano e consiga se relacionar com o divino em Deus.

E é no coração de Deus que o ser humano encontrará a razão e a força para cultivar a fé e construir o amor.
Felizes os corações que, alimentados pela palavra de Deus, semeiam a paz e a harmonia entre as nações.

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