Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Distantes do modelo"

Editorial deste domingo: "Distantes do modelo"

Redação

31/01/2016 - 00h00
Notícia sem imagem

O descaso permanece em relação à precariedade das estradas de acesso às propriedades. As dificuldades parecem ter se tornado sina para quem vive na Itamarati

O Assentamento Itamarati serve de modelo para a reforma agrária de todo País. Esse foi o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à área em 2003, no início da colheita da safra de grãos.

Três anos depois, o cenário no local era desolador. Famílias passavam fome, sobrevivendo apenas de quirera. O patrimônio da propriedade, orçado em R$ 55,7 milhões, havia se transformado em sucata.

Hoje, aos poucos, a realidade vem se transformando. As famílias conseguiram aumentar a produção, mas ainda esbarram nas dificuldades de infraestrutura. Estradas estão completamente intransitáveis e os dois armazéns disponíveis são insuficientes.

A mudança e o impulso na produção, infelizmente, não atingiram todas as quase duas mil famílias que foram assentadas há 14 anos.

Diante das dificuldades de sobrevivência enfrentadas nos primeiros anos, muitos acabaram vendendo seus lotes, prática proibida, mas bastante frequente nos assentamentos. Em muitos dos casos, não continuam como beneficiárias aquelas pessoas que passaram anos na luta, acampadas às margens de estradas, à espera por um pedaço de terra.

Essa é apenas uma das falhas do processo de reforma agrária, que hoje está praticamente abandonado pelo Governo federal.

 Neste ano, a produção de soja dos moradores da Itamarati (hoje elevada a distrito de Ponta Porã) chegou a 84 mil toneladas. Agora, está sendo travada batalha para conseguir escoar os grãos.

Numa corrida contra o tempo, eles uniram-se para custear os valores do cascalhamento da estrada, mas caminhões acabaram atolados. O drama é relatado em reportagem mostrada na edição de hoje (31) do Correio do Estado. Vivenciam situação semelhante a de muitos produtores da região Sul do Estado, que foram duramente castigados pelos estragos da forte chuva do começo deste ano. 

Ainda não foi possível para as famílias alcançar a média de produção de 99 mil toneladas de soja, quando a fazenda pertencia à família de Olacyr de Moraes, considerado o “rei da soja”. Talvez, as dificuldades estruturais sejam apenas um dos pontos que barrem esse crescimento.

Há de se mensurar que conquistas foram obtidas se compararmos a realidade atual ao completo abandono que ocorria em 2006, quando os assentados eram obrigados a trocar ferramentas por comida. À época, a Itamarati chegou a ser apelidada de “favela rural”.

Muitos dos recursos prometidos pela União para fortalecimento da agricultura familiar nem chegaram a ser liberados. O crescimento, ainda distante do que seria possível, foi obtido mesmo sem o apoio que era alardeado pelos governantes.

Hoje, o descaso permanece em relação à precariedade das estradas de acesso às propriedades. As dificuldades parecem ter se tornado sina para quem vive na Itamarati.

Atualmente, ainda esbarraríamos na contradição de termos um “modelo” (longe do ideal), mas que dificilmente seria copiado, se considerarmos a completa estagnação da reforma agrária, com apenas um assentamento criado no Estado nos últimos seis anos.     

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).