A manchete de 28/01 em pelo menos um jornal esportivo brasileiro poderia ter passado despercebida se não fosse pelo seu valor simbólico/histórico e para entender melhor o que se passou de fato nos bastidores da Copa de 2014 no Brasil.
Dizia ela: “Melhor estádio do país, Arena das Dunas (Natal-RN) vai ter (neste ano de 2016) clubes só na Terceira Divisão” (Folhapress).
Acontece que o referido estádio, construído para receber quatro jogos da Copa-2014, foi avaliado pelo Sisbrace (Sistema Brasileiro de Avaliação de Estádios) do Ministério dos Esportes, como o melhor dentre os 155 principais estádios de futebol brasileiros e recebeu a nota máxima de cinco bolas (semelhante à classificação de hotéis) em todos os quesitos mais importantes (geral, segurança, higiene, conforto, e acessibilidade).
O fato, porém, é que o estádio do Rio Grande do Norte não deverá receber muitos jogos da elite em 2016, já que não há time do Estado nas Séries A e B do Campeonato brasileiro e para este ano está prevista apenas uma apresentação da Seleção Brasileira de Futebol pelas eliminatórias da Copa de 2018!
Diante disso, seria o caso de perguntar: Se o belo estádio “Arena das Dunas”, em Natal-RN, vai ficar de fora das grandes competições nacionais de futebol este ano, como é que ele vai sobreviver durante esse período e quem pagará as contas mensais pela sua manutenção? E quanto aos outros belos estádios construídos especialmente para a Copa 2014?
O que se sabe é que as obras da ‘Arena das Dunas’ duraram quase dois anos e meio para serem concluídas. O estádio foi construído pelo Governo do Rio Grande do Norte por meio de uma Parceria Público-Privada com a empresa OAS ao custo de R$ 420 milhões (!).
Ao todo, trabalharam na obra cerca de 4.500 operários, responsáveis pela estrutura que tem 42 mil lugares, 21 acessos de entrada, 38 camarotes, sala de conferência, sala de mídia, 30 banheiros, dois lounges VIP e 29 bares/restaurantes (Ufa!).
É bem provável que o que aconteceu com a “Arena das Dunas” no Rio Grande do Norte – ou seja, a dificuldade de conciliar a grandeza da obra construída para a Copa 2014 e as reais necessidades pós-Copa – não se restrinja apenas a ela.
Sabe-se, por exemplo, que os estádios construídos em Brasília (Mané Garrincha), Manaus (Arena da Amazônia) e Cuiabá (Arena Pantanal) – também deverão enfrentar sérias dificuldades quanto à sua manutenção nos próximos anos.
No caso de Cuiabá-MT, porém, o problema maior não foi apenas com a construção do estádio de futebol, mas também com a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Grande Cuiabá por ocasião da Copa de 2014.
Contratadas inicialmente para melhorar o sistema de transporte metropolitano daquela cidade durante a Copa do Mundo de 2014, as obras do VLT, licitadas por R$ 1,477 bilhão, tiveram andamento em ritmo lento desde o início e agora estão paralisadas e sub-judice.
Ora, a promessa da FIFA e demais organismos que lidam com o esporte internacional para os países que se propõem a sediar Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas, etc., é de que o retorno se dará principalmente em infraestrutura urbana: rodovias, pontes, metrôs, VLT, etc.
No caso do Brasil, os ganhos foram tão pífios ao sediar a Copa de 2014 (e ainda perdemos para os alemães por 7 x 1!) que ainda levaremos algum tempo para erguer a cabeça e tocar o barco pra frente.
Agora só resta torcer para que as obras das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, sejam concluídas e que o evento se revista do maior sucesso possível. E que a Rússia se cuide ao sediar a Copa de Futebol de 2018!