Os números mostram que a população no Estado não tem energia e recursos para bancar o plano adotado pelo governo de elevar impostos alegando que é mal necessário para desenvolvimento de MS.
Desde o início do ano, o Correio do Estado vem alertando para a estratégia adotada, na surdina, pelo Governo do Estado, de elevar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de produtos de 28 segmentos. O “pacotaço” passou despercebido pelos deputados estaduais, que só se atentaram à importância da discussão após a publicação de várias reportagens sobre o tema no jornal. O impacto real da medida será sentido a partir de março, quando as alterações entrarão em vigor. O arrocho tributário é mais um na extensa lista de custos que serão sentidos o bolso do consumidor, um indicativo do que 2016 vai trazer à população.
De maneira ampla, o “pacotaço” assusta pela alcance: os aumentos do ICMS atingem bebidas, autopeças, cigarros, material de construção, produtos eletrônicos, plásticos e produtos de perfumaria e higine pessoal, com previsão de arrecadar R$ 240 milhões. Colocando uma lupa por setor, vê-se a extensão da avidez pública: no caso do material escolar, por exemplo, a estimativa é que a mudança no imposto terá como consequência direta o reajuste de 15% nos preços. É tiro certeiro nas contas da família, já que não há como escapar da temida ida às livrarias no início do ano. A escalada de preços, porém, antecede o reajuste. No acumulado de 2015, os produtos de papelaria foram elevados, em média, 14,06%. Dos 35 itens listados em levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes), apenas sete ficaram mais baratos na comparação aos valores médios praticados de janeiro e de dezembro do ano passado.
O levantamento do Nepes mostra, ainda, que a economia já está em frangalhos em consequência da montanha-russa que foi o ano de 2015. Dados do núcleo mostram que 83 produtos e serviços tiveram aumento acima da inflação acumulada em Campo Grande no ano passado. Encabeçando a lista, estão tarifa de energia elétrica, carne bovina e os combustíveis que mais pesaram no orçamento das famílias. Só a conta de luz, por exemplo, a média de alta foi calculada em 36,35%. A tarifa foi reajustada em março e abril, além dos índices aplicados na bandeira tarifária que indica consumo elevado. O avanço desenfreado dos custos indica a desvalorização da moeda. Sem reajuste, o trabalhador perde poder de compra, afetando, em escala o resultado do setor industrial e do comércio.
Os números mostram que a população no Estado não tem energia e recursos para bancar o plano adotado pelo governo de elevar impostos alegando que é mal necessário para desenvolvimento de MS. É a tática do “crescer o bolo para, depois, dividi-lo”. Estratégia antiga e, infelizmente, desastrosa. A receita, aliás, era do então ministro da Fazenda Delfim Netto, na época do milagre econômico no Brasil, ocorrido entre os anos de 1968 a 1973. Elevação de tarifas públicas, congelamento de salário e incentivo ao investimento estrangeiro foi a política econômicada adotada à época. O bolo cresceu, inflou a dívida externa e nunca foi dividido. Que os benefícios prometidos pela gestão em Mato Grosso do Sul não sejam a reprise de uma novela ruim, conhecida pelos brasileiros.