A disputa de 2016 será emblemática e crucial. Será a oportunidade de se descobrir como o alvoroço político dos últimos anos se refletiu no pensamento dos eleitores e no perfil dos candidatos
A população em Campo Grande está traumatizada com as consequências da eleição de 2012. O que acreditava-se ser renovação mostrou-se o retrato da inexperiência na gestão pública e os efeitos nefastos estão sendo sentidos até agora.
A cidade está suja, mal cuidada e repleta de buracos como nunca se viu antes. Por isso, a disputa de 2016 será emblemática e crucial. Será a oportunidade de se descobrir como o alvoroço político dos últimos anos se refletiu no pensamento dos eleitores e no perfil dos candidatos.
Esse cuidado na escolha do candidato já está sendo tomado pelos partidos. Alguns nomes começaram a ser ventilados, para verificar a aceitação ou rejeição. A estratégia está na fase inicial e, logo, vai tomar corpo.
Pretensos candidatos iniciaram as conversações, deixaram escapar propositalmente as intenções. Se surtir efeito, o “passe” será valorizado e ganha força. Se não, será descartado e as lideranças das legendas já partem para outra alternativa. Partidos tradicionais enfrentam dificuldade em encontrar nome forte.
Um deles é o PMDB, depois da saída de Nelsinho Trad, que migrou para o PTB e é candidato quase certo nesta disputa. Os tucanos veem em Rose Modesto uma possível opção, porém, não descartam eventual coligação caso as pretensões não surtam efeito.
O PT está completamente às cegas. Depois de tantos escândalos, acusações de corrupção e prisões de importantes lideranças - como o senador Delcídio do Amaral, a legenda está enfraquecida e praticamente fora de combate.
Os petistas que restaram e que poderiam ser a escolha, não devem ter fôlego para aguentar a disputa sem capitular perante a atual situação da legenda.
Até agora, os nomes mais fortes que se apresentam são de figuras conhecidas do eleitorado, o que tem tudo para ser benéfico. Há quem aposte que candidatos com experiência saem com vantagem, pois foi justamente a falta dela que levou a cidade para atual situação.
Para os novatos, ainda há o desafio de se tornar conhecido durante a campanha eleitoral.
A reforma política reduziu o tempo de campanha de 90 para 45 dias, começando em agosto e terminado o ciclo em outubro. O tempo em rádio e televisão será disputado entre candidatos a prefeitos e vereadores.
A propaganda na TV passou de 45 dias para 35 dias e o tempo de duração caiu de 30 minutos para 10 minutos. Pode não parecer, mas é período exíguo para que os candidatos sejam devidamente apresentados e para que as propostas sejam mostradas com eficiência.
A disputa deve focar na Internet, campo aberto e infinito para apresentação de ideias e, infelizmente, para a guerra de acusações e difamações.
O que ainda é icógnita é qual o atual perfil do eleitorado em Campo Grande. Atualmente, os possíveis candidatos ainda estão “pisando em ovos”. Para os que apostam na experiência não se deve esquecer que é preciso trazer, também, vigor da renovação política. Afinal, foi atrás disso que os eleitores foram em busca em 2012.