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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Guerra ao Aedes"

Editorial deste domingo: "Guerra ao Aedes"

Redação

14/02/2016 - 00h00
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A autoridade pode conhecer brevemente a realidade, sem   maquiagens, que os agentes de saúde encontram e que os moradores enfrentam em seu cotidiano.

Mobilização e também dificuldades que serão enfrentadas para combater o maior inimigo dos brasileiros neste momento: o Aedes aegypit, que transmite dengue, zika e chikungunya, marcaram o sábado no País.

A estratégia do Governo Federal é despertar o alerta na população, para que todos se conscientizem sobre a necessidade de eliminar os focos com água parada. As visitas de integrantes do primeiro escalão a diferentes estados serviu também para deixar evidente a dimensão do problema.

Em Campo Grande, o ministro dos Esportes, George Hilton, deparou-se com piscina abandonada, cheia de larvas do mosquito, e com entulho ao lado de escola municipal. Parte do lixo jogada na rua pela própria prefeitura que fez a limpeza  do colégio. Assim, a autoridade pode conhecer brevemente a realidade, sem   maquiagens, que os agentes de saúde encontram e que os moradores enfrentam em seu cotidiano.

O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, ficou até sem explicações. Tentou justificar que o sofá  na calçada teria sido jogado por moradores, mas é fato que  o entulho começou a ser acumulado na via pública depois que restos de galhos e madeira foram retirados da escola por equipe que presta serviços à administração municipal. Nenhuma novidade para os campo-grandenses acostumados com essas cenas de descaso.

A ideia, agora, é tentar mudar essa realidade e, por isso, a união de todos é indispensável. Forças Armadas e agentes de saúde estarão mobilizados ainda nos próximos dias para visitar residências e tentar eliminar recipientes com água parada. Missão difícil, mas, até agora, a única estratégia apresentada pelo Governo.

E, para piorar, a medida foi adotada com atraso, tendo em vista o tempo em que os casos notificados começaram a aumentar e as diversas mortes já causadas por dengue em anos anteriores.  

Agora, temos novos males a combater: chikungunya e zika, esta última relacionada ao nascimento de bebês com microcefalia.   Não há dúvidas que as autoridades falharam ao não “declarar guerra” e adotar medidas antecipadamente.

Considerando a atual conjuntura de crise econômica, a epidemia enfrentada no Brasil causa ainda mais temor e preocupações.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, garantiu ontem que o combate ao zika vírus é prioridade nacional e não faltarão recursos para ações de preveção ou tratamento das pessoas que tiveram as doenças. Sabe-se, porém, que a realidade é completamente diferente.

Quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa enfrentar horas de espera e, em algumas localidades, nem consegue atendimento. Também há um descontrole geral. Aqui mesmo em Mato Grosso do Sul não se tem ideia das notificações por zika. Os kits para diagnosticar as doenças de forma mais rápida ainda não começaram a ser utilizados no Estado.

Também não há muitas informações sobre as pesquisas que estão sendo desenvolvidas, mas é certo que investimentos precisarão ser feitos.

Por enquanto, estamos no início da guerra, mas sabe-se que  a batalha aos focos precisará ser permanente para alcançar resultados efetivos. A mobilização geral, com cada um fazendo a sua parte, é hoje a nossa principal e única arma. 

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