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Bárbara Santos e Alex Martins: "Dengue: de quem é a culpa?"

Bárbara Santos e Alex Martins: "Dengue: de quem é a culpa?"

Redação

16/02/2016 - 00h00
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Passam os anos, as estações e, com elas, vêm os períodos chuvosos, épocas em que a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, se intensifica. A população, de forma geral, que é bombardeada com campanhas de conscientização, não reflete, na maioria das vezes, o resultado esperado, e o mosquito, adaptado ao meio urbano, permanece livre, levando centenas e até milhares de vítimas, todos os anos, aos hospitais.

A dengue é uma doença tropical e tem duas variações conhecidas, a dengue clássica e a dengue hemorrágica, sendo a segunda uma evolução da primeira, ou seja, a pessoa que pega a dengue pela segunda ou mais vezes tem grandes riscos de desenvolver a dengue hemorrágica.

A dengue clássica é caracterizada por sintomas como febre alta, com aparecimento súbito, manchas avermelhadas pelo corpo, dor no fundo dos olhos, perda do paladar, náuseas, vômitos e dores pelo corpo, especialmente nos ossos e articulações. Sua duração estimada é de 5 a 7 dias e, na maioria das vezes, deixa sensação de cansaço no infectado por mais tempo.

A dengue hemorrágica, considerada mais grave, apresenta características semelhantes às da dengue clássica. O que a difere desta é o surgimento, a partir do terceiro dia, de sangramentos em pequenos vasos da pele, boca, nariz, ouvido ou até mesmo intestino. Assim, casos que apresentam dor abdominal intensa e sangramento precisam ser tratados rapidamente, pois o risco de morte é muito alto.

Ainda que inúmeras pesquisas venham sendo realizadas na busca de prevenção e para a dengue, a falta de uma terapia específica faz que sejam tratados apenas os sintomas da doença, minimizando o risco de desidratação com a ingestão de bastante líquido e indicação de analgésicos e antitérmicos para alívio das dores e febres. Nos casos mais graves da doença, é necessária a internação para reidratação endovenosa ou, até mesmo, acompanhamento em unidade de tratamento intensivo (UTI). Recentemente, a produção de vacinas contra a dengue, realizada por pesquisadores franceses e também por institutos brasileiros, mostra resultados promissores, porém, ainda em fase de testes, sem uma previsão consistente de sua disponibilidade ao público. 

Há uma estimativa de que já tenham ocorrido mais de um milhão de casos somente no ano de 2015, porém, uma pergunta continua a emergir: de quem é a culpa? Do governo, que não investe o suficiente na mobilização da população e na implantação de medidas públicas de prevenção da doença? Ou da sociedade em geral, que, mesmo tendo acesso às informações, ainda ignora sua responsabilidade e seus deveres sociais, seja consigo mesma, seja com o outro?

O descaso da sociedade, aliado a períodos chuvosos mais intensos e à adaptação do vetor às áreas urbanas, é o principal fator que favorece a propagação do mosquito, culminando com um número elevado de casos e até mesmo de mortes, causadas por essa doença. Com isso, a situação é de alerta: enquanto o mosquito se reproduzir de forma livre, a dengue causará vítimas em todos os lugares.

Portanto, a prevenção ainda é a melhor e a principal forma de combater o mosquito transmissor da dengue, sendo necessário um maior engajamento de toda a sociedade (ONGs, empresas públicas e privadas, mídia em geral, escolas, entre outras instituições) de forma maciça e contínua e também do governo, com campanhas de mobilização da população, vigilância epidemiológica dos casos e até mesmo investimento em pesquisas que busquem formas de controle do vetor, tratamento da doença e desenvolvimento de vacinas eficazes e seguras.    

Muitas cidades possuem equipes de saúde já designadas a fiscalizar e informar a população sobre os riscos, causas e efeitos dessa doença, porém, cada cidadão deve assumir sua responsabilidade no âmbito do controle ao mosquito vetor, por meio de atitudes muito simples, como o descarte correto do seu lixo, limpeza de quintais, monitoramento de possíveis focos e, até mesmo, o alerta a amigos, familiares e vizinhos, fazendo com que todos cooperem em prol da prevenção, pois, enquanto as pessoas não entenderem a importância dos seus atos, a erradicação dessa doença não terá êxito. O momento é de unir forças e vestir a camisa. A guerra contra o mosquito não é (só) minha nem (só) sua; ela é de todos – e a eficácia do combate à dengue depende da consciência e das atitudes das pessoas e das instituições.

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