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Hermano Melo: "Nova lei multa quem cortar pequizeiros em MS"

Jornalista e escritor

Redação

18/02/2016 - 00h00
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“De como, no prazo duma hora só, careci de ir me vendo escorando rifle (...) trepado em jatobá e pequizeiro, deitado no azul duma laje grande” – João Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. 

Na ausência quase total de notícias alvissareiras no País e no Estado nestes tempos bicudos, eis que surgiu algo interessante na semana que passou: foi aprovada, no dia 4/2/2016, pela Assembleia Legislativa de MS – e agora aguarda a sanção governamental – a lei de autoria do deputado Pedro Kemp (PT/MS), que prevê multas para quem cortar pequizeiros em Mato Grosso do Sul, a exemplo do que acontece em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. O objetivo é preservar essa espécie típica do Cerrado e favorecer a cadeia produtiva de pequenos produtores extrativistas.

Entre as regras, que isentam o plantio com finalidade econômica, está a necessidade de se justificar o corte por execução de obra ou projeto de utilidade pública e interesse social. É preciso ainda autorização do órgão ambiental e plantio de cinco a 10 mudas da espécie para cada exemplar cortado. No caso de descumprimento, a multa pode chegar a R$ 5,7 mil (Kleber Clajus, Correio do Estado, 11/2/2016).

Da família das Cariocariáceas, o pequi (Caryocar brasiliense) tem seu nome popular derivado do tupi “piki’a”, que significa casca espinhenta. A árvore possui copa que pode chegar a 3,5 metros de diâmetro, além de produzir média de quinhentos a três mil frutos por safra. Segundo Kemp, “o pequi possui histórico de uso por populações tradicionais como alimento por seu alto poder nutritivo, remédio caseiro, sabão artesanal, corante para tecidos, isca para peixes e alimentação do gado. A árvore, que produz um dos frutos atrativos do Cerrado, também estaria ameaçada de extinção”. 

No entanto, embora seja fruto típico de Mato Grosso do Sul e de todo o Cerrado brasileiro, o fato é que na culinária o pequi é amado por uns e odiado por outros, não havendo meio termo. “Ele até pode ser bastante utilizado em nossa cozinha, mas algumas pessoas não gostam nem de passar perto dele por causa do forte cheiro”. Para o estudante de gastronomia Anderson Medeiros, porém, o segredo de utilizar o fruto nos pratos está na dosagem. “O pequi reina nos pratos em que é usado, ele tem um gosto muito forte e, se não for dosado corretamente, ele vai roubar o sabor de outros ingredientes”, explica (Lucas Arruda, Campo Grande News, 12/09/2015). 

E foi justamente em razão da crescente importância do pequi na culinária sul-mato-grossense e também para comemorar o Dia Nacional do Cerrado que aconteceu de 10 a 12 de setembro de 2015, no Armazém Cultural, em Campo Grande, MS, a 1ª Feira do Pequi, realizada pelo Instituto Marista de Solidariedade. 

Naquela ocasião, foram servidos diversos pratos com o fruto, para despertar, talvez, uma paixão adormecida por ele. Um exemplo foi o frango cremoso que utiliza o pequi para um toque mais exótico. A ideia foi do movimento Slow Food, criado para valorizar a culinária artesanal, feita com calma e valorizando o regionalismo. Tomara que a feira aconteça de novo neste ano e a gente possa saborear com calma – apesar da crise – um gostoso licor de pequi à moda sul-mato-grossense. 

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