Paira sobre nossas cabeças uma ameaça horrenda, que nos coloca em pânico diante das várias ocorrências de vítimas fatais da dengue, e agora de mais outro mal, que vem aumentar a incidência de pessoas atacadas pela peste: o Zika vírus, também transmitido pelo temido mosquito aedes aegypti, uma doença de maior intensidade, que ataca em todos os recantos do país, mormente onde a falta de higiene enseja o ambiente favorável á proliferação da praga, que engrossa as estatísticas alarmantes de vítimas fatais.
Recentemente, a saúde pública, em conjunto com as Forças Armadas, está realizando uma grande campanha contra o terrível mosquito, levando a cabo uma eficiente blitz em todos os recantos afetados pela pavorosa endemia. Fato digno de nota é o grande aparato de soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica, ao lado de agentes de saúde pública, engajados numa grande operação de guerra a vasculhar todos os recantos das periferias das cidades brasileiras. Uma real e poderosa operação de guerra, que certamente surtirá efeitos positivos. Trata-se de uma medida salutar, digna de aplauso de todo povo brasileiro a quem teve a iniciativa de combater a ameaçadora epidemia através do recrutamento de milhares de combatentes armados de instrumentos adequados ao combate do maldito mosquito – um inimigo poderoso, de geração espontânea, que se prolifera em águas paradas e se oculta nos entulhos do lixo.
Resta observar que, terminada tal operação de erradicação do mal, daqui mais três ou quatro meses futuros novamente o aedes estará de volta, trazendo novas ameaças, e novos transtornos a população brasileira, o que põe por terra o esforço despendido pelos denodados soldados e agentes da paz. Perdoem-me os idealizadores dessa guerra contra o aedes, mas vejo que a origem do mal está sendo desprezada: a sujeira dos terrenos e quintais de residências situados nas cidades, mormente em Campo Grande, onde proliferam ruas, terrenos baldios e quintais de residências entulhados de lixo, numa demonstração clara e evidente do desleixo de seus moradores e omissão do poder público competente, o que facilita eficazmente a proliferação do mosquito e outros hospedeiros transmissores de endemias.
Na verdade, nesta guerra contra a dengue ataca-se meramente os efeitos do mal, mas se despreza a causa, ou seja: não s extermina o mosquito, que é a causa única do mal. No caso de Campo Grande, em particular, a incidência de lixões nas ruas e imóveis particulares assusta. Os proprietários de muitos imóveis afetados não se interessam pela limpeza da propriedade, deixando-os a própria sorte a servirem de depósito de lixo, onde jogam entulhos das mais variadas origens, e até animais mortos, favorecendo dessa forma o risco de doenças e, fatalmente, a proliferação do aedes.
Tais mazelas perpetradas por donos desses imóveis são responsáveis diretos pelo risco iminente de pragas, como a dengue e o zika vírus. Não adiantam medidas provisórias e paliativas contra o mosquito, como esta guerra que se trava nas cidades brasileiras. Deve-se sim punir os proprietários relapsos e omissos, que nada fazem para acabar com o mal pela raiz. Urge uma rigorosa lei federal, que os obrigue a trazer limpos seus imóveis, sob pena de condená-los a pesadas multas por desprezo ao cumprimento da lei.
No caso de omissão, a prefeitura deve executar o serviço de limpeza dos terrenos, com autorização judicial e, posteriormente, acrescentar na cobrança do IPTU do exercício seguinte o valor gasto com o trabalho de limpeza dos imóveis afetados. Além disto, a fiscalização municipal deve ser rígida o ano inteiro, visando coagir a limpeza dos terrenos. Somente através dessa fórmula simples seria possível adequar os terrenos e logradouros públicos ao extermínio de todos os provocadores de doenças, inclusive do temerário aedes aegypti.