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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial de sexta-feira: "Exercício de paciência"

Confira o editorial de sexta-feira: "Exercício de paciência"

Redação

26/02/2016 - 02h00
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Enquanto perdurar a instabilidade climática, dificilmente será possível manter, de forma contínua, os serviços de recuperação de estradas

O ciclo das chuvas voltou a causar prejuízos o sul do Estado, interrompendo obras de recuperação de rodovias estaduais e estradas vicinais. Os transtornos causados pelos temporais no fim de um ano e início de outro fazem parte do calendário; mas, em novembro e dezembro de 2015, superaram qualquer estimativa prevista. Pontes e vias danificadas ou completamente destruídas, comprometendo o escoamento da safra de grãos e a passagem dos moradores da região; alagamentos constantes que obrigam a retirada de famílias ribeirinhas, vivendo em constante risco.

No ano passado, qualquer ação de recuperação  de estradas e pontes foi fracassada por causa da continuidade das chuvas. De forma pontual, era possível algum trabalho de manutenção; porém, logo era preciso suspender as ações, em decorrência da instabilidade do tempo. Somente a partir de janeiro de 2016 é que o serviço pôde ser feito de forma mais continuada. Com verba de R$ 25 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul), as obras incluem duas estradas estaduais, mas principalmente vicinais, além da drenagem em um bairro de Naviraí, em que uma cratera se abriu, em novembro de 2015. No local, segundo a prefeitura informou em reportagens já publicadas pelo Correio do Estado, a cada chuva forte, o buraco volta a se abrir. A expectativa é tentar sanar o problema de vez, já que, por se localizar próximo de dezenas de casas populares no Jardim Paraíso 4, a cada intempérie, é prenúncio de tragédia.

A situação é também preocupante quando se avalia o aspecto econômico que esses transtornos causam. Mato Grosso do Sul está no período de colheita da safra de grãos. Na região sul, há relatos de produtores rurais que estimam perda de 5% a 10% na produção. Além disso, há o desafio de escoar o que foi colhido; o acesso de muitas vicinais – da zona rural até rota de transporte produtiva – está comprometido, sendo necessário usar vias alternativas que aumentam percurso e encarecem o transporte, com gastos não previstos de combustíveis e até de manutenção dos caminhões. O setor, a exemplo do resto do País, enfrenta retração da economia, com elevação nos custos de produção e queda nos rendimentos. As dificuldades decorrentes das chuvas prolongadas representam mais um obstáculo na agropecuária do Estado.

Enquanto perdurar a instabilidade climática, dificilmente será possível manter, de forma contínua, os serviços de recuperação de estradas. Os municípios tentam recuperar-se dos danos causados desde 2015. Até agora, 27 cidades decretaram situação de emergência em Mato Grosso do Sul e, destas, 22 tiveram decreto reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional. Desde o ano passado, as prefeituras aguardavam, com essa classificação do governo federal, o repasse de recursos para sanar os problemas mais emergentes. Somente na quarta-feira é que o secretário estadual de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, recebeu informação de que tinha sinal verde para liberação de R$ 22 milhões para reforma de 30 pontes danificadas. O envio de recursos federais é um alento na situação calamitosa que o Estado vivencia por causa das chuvas. 

 

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