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Editorial desta terça-feira: "Enxurrada de prejuízos"

Editorial desta terça-feira: "Enxurrada de prejuízos"

Redação

01/03/2016 - 03h00
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Hoje, há uma “corrida contra o tempo” para tentar amenizar as perdas, mas os obstáculos impostos pelas águas são muitos 

Além das perdas decorrentes da recessão econômica, os sul-mato-grossenses depararam-se com outro desafio: prejuízos causados pelas chuvas. Os problemas começaram ainda em dezembro do ano passado e continuam se agravando. Governos e prefeituras, que já estão no sufoco para fechar o caixa, precisam correr atrás de recursos para recuperar pontes e estradas. Soma-se, ainda, a preocupação de que os resultados esperados para a agricultura acabem frustrados, afetando ainda mais as receitas. Máquinas estão paradas há mais de uma semana e, na região sul do Estado, mais da metade da área de soja ainda precisa ser colhida. Com as lavouras alagadas e excesso de umidade no solo, a colheita torna-se impossível. Essa combinação também pode contribuir para a proliferação de pragas, situação que exige mais investimentos para fungicidas e eleva gastos com produção.

Diante da retração na indústria, no comércio, e com os altos índices de desemprego, o agronegócio tem sido a principal aposta para “salvar” a economia do Estado. Tanto que as metas continuam positivas, a despeito dos demais indicadores afetados pela crise. A estimativa para a safra é de R$ 7,2 milhões de toneladas de soja, alta de 5,6% em relação à anterior. O dólar alto contribui para o cenário favorável às exportações. Por isso, torna-se tão temerário o atraso na colheita, as perdas inevitáveis e as dificuldades no escoamento, em decorrência das estradas em condições deploráveis e pontes caídas. O “socorro” a essas áreas precisou ser protelado, novamente, por conta das chuvas. Fica impossível qualquer intervenção, enquanto não houver período de estiagem. 

O governador Reinaldo Azambuja declarou que estão sendo investidos R$ 70 milhões para recuperar os estragos. O problema é que, hoje, há uma “corrida contra o tempo” para tentar amenizar as perdas, mas os obstáculos impostos pelas águas são muitos. No começo do ano, o prejuízo estimado era de R$ 200 milhões, número que certamente já aumentou, mas a Defesa Civil ainda está elaborando os cálculos. São 34 cidades em situação de emergência; porém, mesmo assim, o governo federal continua no patamar de promessas para liberação de recursos. Semana passada, o secretário de Obras, Marcelo Miglioli, esteve em Brasília e voltou com a promessa de liberação de R$ 22 milhões, dinheiro que será usado para reconstrução de pontes. 

Além de transtornos, como atraso no início do ano letivo nas escolas estaduais, alagamentos de casas e veículos arrastados pela enxurrada, as fortes chuvas representam ameaça ao agronegócio, principal responsável pelas riquezas do Estado. Trata-se de novo desafio para o governo estadual, que tenta equilibrar o orçamento, e às prefeituras, que lutam até para conseguir manter pagamento dos salários em dia. As expectativas estão na meteorologia, pois pouco poderá ser feito para tentar evitar prejuízos, se as chuvas não cessarem. Os sul-mato-grossenses enfrentam, atualmente, uma “enchente de prejuízos” e, diante da situação urgente, as ações precisam ser voltadas a amenizar os danos. A crise nacional já impôs restrições ao poder de compra das famílias e queda na arrecadação. Agora, o tempo aparece como novo vilão dos cofres públicos. Será preciso ainda mais organização para driblar o novo impacto. 

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