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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quinta-feira: "Urgência x estagnação"

Editorial desta quinta-feira: "Urgência x estagnação"

Redação

03/03/2016 - 03h00
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Nem sempre é possível “culpar São Pedro”. A chuva expõe fragilidades, com estragos recorrentes, que não são reparados pelo poder público.

Cinco horas de chuva e vários momentos de caos. A forte precipitação durante a madrugada levou destruição a diferentes pontos de Campo Grande.

Carro ocupado por dois jovens foi arrastado pela enxurrada e caiu dentro do Córrego Bandeira. Ambos foram resgatados. Residência na região da Avenida Interlagos foi destruída. Muitas ruas ficaram tomadas de lama,  enquanto outras estão intransitáveis por conta de crateras.

Estamos diante de desastres decorrentes desse fenômeno natural, comum nos três primeiros meses do ano em Mato Grosso do Sul. Alguns, infelizmente, não poderiam ser evitados. Entretanto, nem sempre é possível “culpar São Pedro”. A chuva expõe fragilidades, com estragos recorrentes, que não são reparados pelo poder público.

Tornaram-se rotina os alagamentos na rotatória da Avenida Rachid Neder com a Ernesto Geisel, situação agravada pelo rompimento da  barragem e de uma piscina de contenção de água da chuva.

A previsão da prefeitura é que a partir desse mês seja feita a reconstrução. Ainda, na região do Sóter, na Via Parque, as barragens estão completamente entupidas, com lixo e restos de árvores acumulados.

Dois flagrantes claros da falta de manutenção das obras de contenção de enchentes. No total, no período de cinco anos, foram investidos. R$ 161,9 milhões em obras para evitar alagamentos em pontos específicos da cidade. Entretanto, recursos jamais serão suficientes se ao menos os cuidados básicos não forem adotados.

Ainda, a medida em que a cidade cresce, surgem novas demandas e os investimentos não podem continuar estagnados. A prefeitura chegou a elaborar projeto de manejo de águas pluviais e prevenção de cheias, atualizado há cerca de ano. Mas, nada saiu do papel. Não há como ter expectativa acerca de tais obras.

A crise econômica forçou os gestores a enxugar gastos e o setor de infraestrutura tem sido um dos mais castigados. O Governo Federal também contingenciou recursos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tornou-se parte do passado.

Mesmo com tantas dificuldades, haveria condições de fazer mais. Isso porque nem mesmo obras com recursos assegurados estão sendo executadas.  

É o caso da Avenida Ernesto Geisel, que desmorona a cada chuva devido a erosão que avança para a pista. Mesmo assim, a prefeitura deixa R$ 68 milhões “mofando” em caixa e não acelera os trâmites para abrir nova licitação. Se nos deparamos com tamanha ineficiência, pouco poderemos esperar no que concerne a novas obras.

Hoje, a urgência é para tentar amenizar os desastres causados pelas chuvas. No interior do Estado, por exemplo, recursos são empenhados para recuperar pontes e estradas, mas já há planejamento para recapear e pavimentar outros trechos.

Aqui em Campo Grande, também devem ser adotados procedimentos semelhantes. Entretanto, a manutenção e planejamento para novas obras são essenciais para que os reparos emergenciais não se tornem constantes. 

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