Artigos e Opinião

Artigo

Octavio Luiz Franco: O suave toque robótico

Octavio Luiz Franco é Coordenador do S-Inova Biotech, Professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia-UCDB

Redação

06/03/2016 - 01h00
Notícia sem imagem

Quando crianças tivemos a oportunidade única de sonhar, assistir e tocar alguns robôs que encantavam nossa imaginação. Famosos foram os robôs que estrelaram seriados como Perdidos no Espaço e Jetsons ou participaram de megaproduções como a dupla R2D2 e C3PO em Star Wars. Inesquecível também para aqueles que vivenciaram a década de 80, o robozinho Artur consistia em um brinquedo fascinante que nos colocava praticamente no século 21. Entretanto podemos pensar que hoje todos estes designs de robôs estão ultrapassados, uma vez que eram rígidos e com movimentos limitados. 

Atualmente, robôs com esta rigidez têm sido colocados de lado em detrimento de uma nova geração de agentes robóticos extremamente flexíveis. Este movimento tecnológico começou na Itália em 2007, quando um famoso grupo de pesquisadores construiu um robô protótipo que mimetizava um polvo. Seus tentáculos conseguiam ondular, curvar, flexibilizar e se estreitar, criando um novo conceito de desenvolvimento robótico. A partir daí robôs flexíveis têm sido inspirados nas mais diversas criaturas incluindo lagartas, águas-vivas e peixes. 

Mas existem inúmeros desafios na geração de robôs tão complexos como estes. A dificuldade não consiste apenas na questão de materiais flexíveis e suaves que possam ser dobrados ou amassados. A simulação de um movimento complexo como a ondulação de uma água-viva, por exemplo, exige um profundo estudo da oscilação do animal vivo associado a uma enorme capacidade de programação computacional capaz de reproduzir em detalhes cada pequena torção e reviravolta de algo que os animais fazem com simplicidade por milhares de anos. 

Além disso, deve-se contar também com as variações de ambiente. Às vezes, o imprevisível realmente acontece, causando mal funcionamento ao robô.  Assim com o desenvolvimento desta tecnologia robótica, aprimora-se ainda mais a mimetização de movimentos. Adicionalmente também são melhorados a cada dia os materiais capazes de simular o flexível movimento dos músculos e tendões, por exemplo. Embora a maioria destes robôs esteja ainda em fase laboratorial, algumas empresas começaram a arriscar sua produção de alta tecnologia e complexidade. A empresa Whitesides iniciou a produção de mãos robóticas capazes de simular o movimento da mão humana. Além desta companhia, a Soft Robotics levantou 4,5 milhões de dólares para produzir uma linha de garras robóticas de borracha. Feitas completamente de polímeros elásticos, as garras se curvam quando bombas de ar são acionadas, inflando canais internos. Estas garras extremamente sensíveis e suaves são capazes de manusear objetos muito sensíveis sem causar riscos e com a segurança de não os derrubar. 

Entretanto, a grande flexibilidade também traz maiores desafios. Quando o robô flexível é movimentado em um ponto, todo o restante se move, reduzindo a precisão e o controle. Além disso, o exército americano tem também investido em resistentes e flexíveis exoesqueletos capazes de proteger seus soldados. Esta versão mais avançada do homem de ferro apresenta milhares de sensores internos capazes de detectar os movimentos e as alterações elétricas na pele do humano que veste o aparato. Ao invés da rigidez do aço da armadura de Tony Stark, os novos exoesqueletos serão feitos de poliéster extremamente flexível. Desta forma as aplicações para esta nova tecnologia são imensas. Quando questionados do por que imitar um polvo, o líder do grupo italiano respondeu que não existia um único objetivo. Mas que tinha certeza que muitos usariam sua tecnologia. Ele não poderia estar mais correto. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

Artigos

Entre a estabilidade e o crescimento: o dilema dos juros no Brasil

O diagnóstico merece debate, mas reduzir a Selic por decreto ou a submeter a um conselho político não elimina os riscos de inflação, fuga de capitais e desvalorização cambial

05/11/2026 07h35

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Chega de caixa-preta nos cofres estaduais

A estagnação no faturamento estadual ocorreu em um período em que as autoridades locais se vangloriavam do crescimento em ritmo chinês do Produto Interno Bruto (PIB) local

05/11/2026 07h20

Artigo Correio do Estado

Artigo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).